Nusa Penida, um diamante por lapidar

A sudeste de Bali, na Indonésia, surge um pedaço de terra onde as cores são mais intensas, quase como se estivéssemos sob o efeito de substâncias alucinógenas. Na ilha de Nusa Penida, a água rouba o azul ao céu e os seus penhascos verdejantes provocam inveja às mais belas praias tropicais asiáticas.

Partimos do porto de Sanur por volta das 8 da manhã, o que implicou acordarmos super cedo porque ainda tivemos que fazer o transporte desde o nosso alojamento em Jimbaran. A aventura começa logo na parte em que para entrarmos no barco temos que tirar as sapatilhas e seguir mar dentro, descalços pela água lamacenta até alcançarmos o barco que flutua na margem, sem pontão onde atracar. A viagem demora cerca de 1 hora até Nusa Penida.

Local de embarque no porto de Sanur.

Se já estão a achar difícil esta excursão, preparem-se, estou apenas a aquecer! No porto de Nusa Penida o nosso guia, o Noma, aguardava-nos ansiosamente, num inglês macarrónico escoltou-nos até um bólide híbrido entre o shuttle e o jipe, sem ar condicionado, e ao som de Bruno Mars e Bob Marley enfrentámos a pior viagem que já tivemos num veículo, entre precipícios e caminhos sem rua asfaltada, imensos buracos, calor e saltos no banco, demorámos mais 1 hora até chegarmos ao primeiro ponto da nossa visita à ilha.

Não esquecer: sapatilhas confortáveis, chapéu e óculos de sol, mochila com protetor solar, toalha de praia e bastante água engarrafada. Nós levamos duas garrafas de 50 cl cada um, sendo que uma delas deixamos a congelar durante a noite para se manter fresca durante mais tempo. É extremamente importante manter uma boa hidratação, uma vez que o calor é insuportável e os acessos exigem bastante da nossa forma física.

Kelingking Beach

Esta é, talvez, a mais famosa praia do Instagram, conhecida pela sua falésia em formato de dinossauro. Ao chegar lá, primeiro sentimos o alívio de levantar o rabiote do bólide híbrido, e depois deparámo-nos com uma paisagem envolvente que não desilude. É exatamente igual ao que vemos nas fotos e as cores da água são arrebatadoras! Contudo, é absolutamente proibido mergulhar nas águas da Kelinking, uma vez que o formato peculiar da praia cria correntes extremamente fortes e perigosas.

Vista do topo da falésia da praia Kelingking.

Se houver tempo, aconselho a longa descida até à areia pelos degraus no topo da falésia. Como nós tínhamos um programa apertado a cumprir, optámos por não o fazer, uma vez que queríamos aproveitar outros locais para fazer um pouco de praia onde se pudesse efetivamente mergulhar.

Ao evitar a descida, este local é o de acesso mais fácil de Nusa Penida. Na mesma zona, existe um bar de apoio e vários miradouros criativos para enchermos a memória do telemóvel com fotos para fazer inveja aos amigos no Instagram. Por falar nisso, a rede de telemóvel na ilha é praticamente inexistente.

Um dos vários miradouros com vista para a parte posterior da praia.

O almoço, que está incluído no valor da excursão, foi num restaurante por perto, numa refrescante cabana perdida no meio de palmeiras. O prato incluído foi frango grelhado servido com arroz e um molho agridoce extremamente picante. Quanto às bebidas, optámos pela água de coco natural, que foi um bom combustível hidratante para a jornada que se seguia, embora tivesse sido melhor servida fresca.

Atuh Beach

Depois de mais uma alucinante viagem no bólide híbrido, onde já havia esmorecido o entusiasmo pelas músicas do Bob Marley e Bruno Mars, que se iam repetindo a cada 20 minutos, chegámos finalmente à maior surpresa de toda a excursão: a praia de Atuh, um pequeno trecho de areia encostado a uma belíssima falésia sedimentar. Para atingirmos o areal, é necessário descer uma vertiginosa escadaria, esculpida na parede da falésia e que não deve ser encarada de ânimo leve, pois é necessária muita coragem e esforço físico até lá abaixo, mas principalmente coragem. Na porção terminal da escadaria, os degraus são substituídos por uma corda e por pequenas saliências nos sedimentos que temos de escalar.

Paisagem idílica do topo da falésia de Atuh.

A descida é imediatamente recompensada assim que pousamos os pés na areia e nos vemos rodeados de uma beleza extraordinária e de uma leveza de espírito que é difícil de encontrar. As ondas aqui também são bastante intimidantes, mas não foram páreas para quem está habituado às praias de Vila Nova de Gaia, e a retribuição, para além da mistura de azuis incríveis, é a temperatura da própria água, que é uma delícia para quem acabou de arriscar a vida a descer uma falésia sob um calor abrasador.

Acho que dá para perceber no meu sorriso de quem acabou de encontrar o Éden, o quanto eu amei esta praia.

O areal é suficientemente grande para estender a toalha e desfrutar do sol, no entanto, ainda sobre a força das ondas, é preciso ter algum cuidado pois por se tratar de uma praia selvagem, não existem salva-vidas. A pior parte, depois de começarmos a acusar o cansaço da praia e do calor extremo, é voltar a subir a escarpa. A minha sugestão passa por se fingirem de mortos e esperar que vos venham buscar de helicóptero.

Rumah Pohon Treehouse

O último destino da nossa excursão foi a mítica casa-da-árvore de Rumah Pohon, que se encontra inserida num alojamento turístico, em que é de facto possível reservar quartos. Imaginam-se a acordar com uma vista destas?

Bem-vindos à minha crib. A magia acontece mesmo nestes degraus porque não há espaço para mais.

Para alcançar a casa-da-árvore imaginem-se só, é preciso descer escadas. E se nesta altura começares a pensar se vale a pena o esforço só para tirar umas fotos, a resposta curta é sim. Muito mais que a foto incrível que vais tirar, vale por toda a atmosfera surreal do local, sendo que facilmente damos por nós a ponderar dar uma de Lagoa Azul e largar tudo para viver numa simples cabana.

Pequeno santuário no penhasco da casa-da-árvore.

Depois de intermináveis sessões de fotos, demos por terminada a visita a Rumah Pohon e com isto concluímos a nossa excursão por Nusa Penida, mas não sem antes termos uma experiência de quase-morte, com o nosso bólide híbrido a derrapar em direção ao desfiladeiro e comigo a ponderar saltar porta fora.

O total da excursão ficou por 80 dólares americanos por pessoa e foi organizada em conjunto com a Nilla, da GoAdventureBali. Se conseguirem dispor do tempo, aconselho a ficarem alojados 2 ou 3 dias nesta ilha, pois o que vos mostrámos é apenas parte do seu gigante potencial e capacidade de proporcionar uma experiência ímpar.

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Atenas, o berço do Ocidente

Desde as suas profundas raízes históricas às praias de água quente e turquesa da riviera ateniense, a mítica capital da Grécia surge como uma cidade europeia incontornável, que oferece uma cultura incrível aliada a uma apurada gastronomia mediterrânea.

Apesar de apenas existirem voos diretos de Portugal para Atenas a partir de Lisboa, este destino vale bem a pena qualquer escala. A faixa de preços para reservas na janela ideal situa-se entre 150€ e os 250€, ida e volta.

Quando aterrei no aeroporto internacional de Elefthérios Venizélos em 2014, a minha melhor opção para chegar à Praça Syntagma, no centro da cidade, era o autocarro X95. Atualmente, o mesmo percurso pode ser feito através da ligação direta do metro, cujo tarifário pode ser consultado aqui. O sistema de bilhética foi também atualizado e funciona de forma semelhante ao cartão Lisboa VIVA e ao andante do Porto.

Quanto a alojamentos, recomendo que cliques aqui para visitar a página do Booking para encontrares o alojamento adequado às tuas necessidades.

  • Locais a não perder

O icónico Pártenon coroa a Acrópole, o ex-libris da cidade, é um templo dedicado a Atena, a deusa padroeira, e é considerado o pináculo da arquitectura grega clássica. Cada elemento que o compõe é único e criado para produzir a perfeição geométrica da perspetiva do observador. Apesar de ter sofrido bastante com a história da cidade, a sua morfologia atual confere-lhe um misticismo assombroso. É um símbolo da Humanidade e cada um de nós deveria ter a oportunidade de o visitar pelo menos uma vez na vida.

Ao lado do Pártenon surge a famosa casa das Cariátides, ou como é conhecido oficialmente, o Erecteion, mais um templo dedicado a Atena e a Poseidon. Segundo a Wikipédia, no seu interior vivia uma serpente, para a qual se oferecia um bolo sagrado cuja recusa era tomada como sinal de mau agouro para os atenienses.

Escavado na vertente sul da Acrópole, o Odeão de Herodes Atíco é um teatro cuja imponência é avassaladora. Antigamente era, na verdade, coberto e poderia receber cerca de 5000 espectadores. Esporadicamente, ainda hoje é palco de alguns eventos culturais.

Na antiguidade clássica, o Areopagus servia de local de arbitragem de casos de justiça e de discussão e reflexão de vários assuntos como educação, ciência e filosofia. Para além disso, a partir desta colina obtêm-se vistas magníficas da Acrópole e da Ágora Antiga.

Na Ágora Antiga, localiza-se o Tempo de Hefesto. Este monumento é considerado o mais bem preservado templo grego do mundo. Dedicado a Hefesto, deus grego do fogo, dos metais e da metalurgia, este templo conversa todas as suas colunas e grande parte do tecto.

Ainda na ágora, é possível também visitar a Stoa de Átalo, um local de comércio e cultura, que oferecia protecção das intempéries e do calor abrasador aos seus utilizadores. O exemplar atual trata-se uma reconstrução que reproduz fielmente a estrutura original.

A área de Monastiraki, localizada no centro histórico, é um dos principais pontos da cidade e nela convergem vários locais de comércio tradicional, de culto e até mesmo de arqueologia, como a Biblioteca de Adriano que lhe é vizinha.

O bairro de Plaka é a área mais tradicional da cidade e conserva em si o verdadeiro espírito helénico. Perder-se por entre as suas ruas, decoradas com vegetação, munidas de elegantes edifícios e espaços de restauração é um “must” para quem visita a cidade.

O Museu da Acrópole é um prodígio da arquitectura! O chão de vidro permite vislumbrar as ruínas sobre as quais foi construído e vários elementos da sua configuração foram criados para simular a ascensão da antiga rampa da acrópole, assim como a sala do Pártenon contém o mesmo número de colunas do monumento. Esta é também a nova casa de 5 das 6 Cariátides originais.

Na região litoral sul da cidade, forma-se um conjunto de praias, na sua maioria concessionadas, que prometem ser o refúgio da azáfama do centro de Atenas e satisfazer as necessidades de qualquer turista amante de praia. A água cristalina e quente da Riviera Ateniense, combinada com paz, tranquilidade e um serviço de praia ao melhor nível fazem todos os problemas desaparecer.

Recomendo as praias da região de Voula e Vouliagmeni. Para chegar até lá é necessário apanhar um elétrico na praça Syntagma com um percurso de uma hora até à estação terminal mas acredita, vale a pena todo o esforço! Os preços praticados variam de acordo com a época do ano e é consideravelmente mais barato durante a semana.

Inspirando-se na mitologia grega, a arquitetura da reitoria da Universidade de Atenas demonstra o potencial do design clássico em embelezar edifícios contemporâneos e funcionais. Uma verdadeira obra de arte! Nesta zona é também possível encontrar o Museu Nacional de Arqueologia, com um espólio desde os primórdios da civilização helénica.

Na conhecida Praça Syntagma situa-se o Parlamento Helénico. O edifício apalaçado e a sepultura do Soldado Desconhecido são guardados sob uma guarda tradicionalmente vestida que efetua a parada da Troca da Guarda a cada hora com movimentos bastantes peculiares.

A estrutura original remonta a 566 a.c. e as suas ruínas foram restauradas para alojarem os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna em 1896. Desde então, o Estádio Panatenáico foi utilizado em diversos eventos, incluindo na competição de tiro com arco nos Jogos Olímpicos de 2004, que também decorreram na cidade. No seu interior alberga ainda um memorial dos Jogos Olímpicos, onde é possível observar exemplares das tochas olímpicas ao longo dos anos, incluindo o altar onde é acesa a primeira tocha de cada edição.

Na Grécia antiga, Zeus era o rei dos deuses do Olimpo e este templo, construído em sua honra, foi um dos maiores e mais famosos do mundo. No seu interior, possuía uma enorme estátua de ouro e marfim do deus dos raios e do trovão. Ao longo da História sofreu pilhagens frequentes e hoje restam apenas algumas colunas. De lá, é possível obter uma vista deslumbrante para a Acrópole.

Para além de Atenas ser um destino de sonho para muitas pessoas, o custo de vida não é alto, o que nos permite fazer umas férias dentro do orçamento! É também importante referir que as principais atrações turísticas têm entrada gratuita para estudantes da União Europeia mediante apresentação de um cartão de estudante válido, assim como o sistema de transportes da cidade oferece descontos até 50% sobre a tarifa normal.

Para descobrires mais sobre esta cidade e sobre a forma como marcou a minha experiência de viagem ao aventurar-me sozinho, clica aqui.