Pelo trilho da frecha da Mizarela

Inserido no Geopark de Arouca, o trilho da frecha da Mizarela é uma aventura ímpar pela beleza da Serra da Freita, pelas suas cascatas, natureza e vistas arrebatadoras. Contudo, vale a pena deixar já o aviso de que não é, de todo, um percurso fácil, mesmo para quem está habituado a praticar exercício físico. Requer, acima de tudo, uma excelente capacidade de superação e resistência, chegando até a ser perigoso, tanto pelos trechos estreitos pelas falésias como pela dificuldade de acesso no caso de acontecer alguma coisa. Não é, portanto, recomendado para crianças ou idosos.

Sinalética do percurso a partir do parque de campismo.

O trilho circular inicia-se no parque de campismo do Merujal, onde se pode estacionar o carro. Daí, basta seguir as placas com a denominação do percurso PR7, que nos leva até ao miradouro da Mizarela, onde somos presenteados, desde logo, com um panorama incrível da cascata. Aproveitem para tirar a foto da praxe e digam adeus à civilização! O percurso deixa a estrada asfaltada e a rede móvel começa a falhar.

Marcas que assinalam o correto caminho do trilho, um “X” diz-nos que estamos no percurso errado.

A verdadeira aventura começa neste ponto, a partir do qual começamos a descer pela escarpa, num percurso de terra por entre a floresta. Se quisermos seguir o percurso sem desvios, precisamos de ficar atentos às marcas que se encontram presentes nas rochas e nos troncos, pois é muito fácil passarem despercebidas.

Final da área acessível do percurso da cascata, onde percebemos que nos tínhamos enganado no caminho.

Quando fizemos o percurso acabamos por continuar a descer até ao final da cascata e só depois percebemos que estávamos fora do trilho. No entanto, vale a pena o desvio para apreciar a descida vertiginosa da água e os vários regatos que serpenteiam as rochas. Existem até alguns laguinhos e pocinhas onde é possível mergulhar, apesar da água ser gelada! Aproveitámos para almoçar à beira das correntes, a ouvir o chilrear da água, antes de iniciarmos a subida para retomarmos o percurso.

Vista idílica dos patamares inferiores.

Voltar ao caminho correto não foi fácil, mesmo depois de termos recuperado as energias, uma vez que a subida é bastante íngreme e exige muito trabalho de coxa. Andamos meio perdidos até vislumbramos novamente as cores amarelas e vermelhas pintadas numa árvore, à direita de quem desce. A parte perigosa do trilho começou precisamente neste ponto, em que o caminho se resume a um pedaço de terra encostado à ravina.

Vista arrebatadora do trilho PR7. Não se deixem distrair, a queda é longa!

O caminho segue pela encosta e as vistas têm tanto de maravilhoso como vertiginoso, portanto, é recomendado um cuidado redobrado para quem já normalmente sofre deste mal. Seguimos descendo até à aldeia da Ribeira, por onde continua o leito da frecha. Aqui encontrámos algumas ruínas de casas abandonadas e uma ponte sobre a água, onde decidimos parar para recuperar o fôlego.

Ponte sobre o leito da frecha, onde se inicia a porção mais difícil do trilho.

A partir deste ponto e atravessando o ribeiro, é sempre a subir! O trilho segue pela encosta à nossa frente e temos que ir afastando a vegetação ao estilo de Lara Croft para conseguirmos prosseguir. Neste momento, o mais importante é focarmo-nos no objetivo e controlar a respiração, ignorando o facto que os nossos músculos da coxa já começam a dar de si.

No cimo da encosta, temos que nos agarrar a correntes pregadas nas rochas e basicamente rezar o terço para atravessarmos a ponte de madeira que se segue, empoleirada numa cascata e a precisar de uma boa manutenção. Mas nada de grave, seguimos porque, neste ponto, já estamos numa exaustão tal, que só queremos voltar a ver os nossos pais com vida.

Correntes de auxílio para descer a encosta.

Brincadeiras à parte, este percurso deve ser feito nos meses mais secos do ano, para evitar que se torne ainda mais perigoso, com a água a escorrer pelas rochas ou a neblina típica da Serra da Freita. Para além disso, também não é boa ideia fazê-lo em dias exageradamente quentes, porque a sombra apenas existe numa pequena parte inicial do trilho. É essencial umas boas sapatilhas, com boa aderência ao piso, levar também a água necessária a uma hidratação adequada e protetor solar.

A delicada ponte de madeira que nos permite saltar a cascata.

Depois da temida ponte, sentimos que o pior já passou e resta-nos poucos quilómetros até voltarmos à civilização. O caminho em frente tem menos vegetação, menos sombra e vale a pena reservar alguma água para este trecho final que nos presenteia com vistas desafogadas do horizonte sobre a serra, em dias de céu limpo.

Quando finalmente regressámos ao parque de campismo do Merujal, haviam passado 6 horas para percorrer os 8 quilómetros mais longos das nossas vidas. Claro que demoramos todo este tempo porque nos perdemos, fizemos desvios desnecessários e paramos algumas vezes, tanto para almoçar como para descansar. No site da Serra da Freita diz que é um trilho para 4 horas, o que não me parece humanamente possível.

Vista do miradouro da Mizarela, onde é possível observar o trilho que circunda as escarpas.

Como balanço final posso dizer que este trilho foi das experiências mais desafiantes que fiz, tanto a nível físico como psicológico, e o sentimento de superação é realmente recompensador, aliado a paisagens e lugares de uma beleza de cortar a respiração, em plena comunhão com a natureza.

O derradeiro guia para visitar Bali

O cansaço das intermináveis horas de voo desvanece no momento em que pisámos o chão sagrado de Bali. Visitar esta ilha da Indonésia não é apenas mais uma viagem, é toda uma experiência cultural, uma aventura pela natureza e uma descoberta espiritual que nos transcende. Apesar de ser um destino turístico e comercial, supera todas as nossas expectativas, faz jus ao hype e nos deixa em êxtase absoluto. Vamos desvendar os mitos para que possas começar a planear agora mesmo a tua visita.

Voos

Começamos pela parte que dói mais: a viagem até lá. A maioria das rotas tem a duração de cerca de 22 horas de percurso, com uma ou mais escalas. A faixa de preços situa-se entre os 500€ e os 900€, para ida e volta em classe económica, sendo que pagar mais que isso não me parece que seja razoável. Quanto mais cedo reservarmos, maior a probabilidade de apanharmos uma pechincha. O meu voo ficou por 700€, pela Singapore Airlines, com escalas em Frankfurt e Singapura.

Quando visitar?

O clima na Indonésia divide-se em estação seca, entre abril e outubro, e a estação das chuvas, entre novembro e março. Sugiro que se opte por datas dentro da estação seca ou num período de transição, pois as temperaturas são mais amenas e existe menos precipitação. Devemos também evitar os meses da época alta, como julho, agosto e dezembro, altura em que os preços sobem abruptamente e a ilha fica inundada de turistas. Nós fizemos a nossa viagem no final de outubro e início de novembro e apanhámos um tempo incrível.

Penhascos idílicos de Nusa Penida.

Por quanto tempo?

Resposta rápida: quanto mais tempo melhor! A ilha tem imensa coisa para ver e toda a atmosfera remete para nos prender por lá tanto tempo quando possamos dispensar. Contudo, sei o quanto é difícil fazer a gestão dos nossos dias de férias e por isso recomendo, no mínimo, 10 dias no terreno, isto é, sem contar com o tempo de viagem.

Regime de entrada e moeda

Para visitantes de Portugal, é apenas necessário passaporte com pelo menos 6 meses de validade à data de saída da Indonésia. O visto conferido à chegada é gratuito e válido por 30 dias. Para estadias de duração superior é necessário um visto especial emitido pela embaixada da Indonésia, ou então, sair e voltar a entrar do país após os 30 dias iniciais.

A moeda utilizada é a rupia indonésia (IDR) e, como sempre, aconselho a utilização do cartão Revolut para evitar o pagamento das taxas de cambio e de levantamentos (vê como aderir de forma gratuita aqui). Funcionou na perfeição em todas as caixas multibanco que utilizei e melhor ainda nos pagamentos diretamente com o cartão.

Saúde e segurança

Tendo em conta o clima exótico, propício a doenças tropicais a que não estamos habituados, é indispensável a realização da consulta do viajante. Desta forma conseguimos viajar informados acerca dos cuidados a ter, nomeadamente a nível de higiene ou até mesmo medidas para nos ajudar a enfrentar as longas horas de voo. No meu caso, tive também que tomar a vacina da Hepatite A.

O povo balinês é extremamente simpático e acolhedor e em nenhum momento me senti inseguro, no entanto, isso não invalida o uso do bom senso. Uma vez que, para usufruirmos do melhor que a ilha tem que para oferecer, implica termos que nos aventurar por caminhos pouco acessíveis e um tanto perigosos, é fundamental um bom seguro de viagem. Eu uso o seguro da IATI, que oferece assistência 24h/dia em português e é livre de franquias caso seja necessário ativar. Ao aderires aqui, obténs 5% de desconto sobre o preço de tabela.

Campos de arroz em Ubud.

Onde ficar?

Para uma primeira visita, e de forma a termos uma maior flexibilidade nas deslocações pela ilha, precisámos dividir a nossa estadia em duas áreas distintas: zona da península de Bukit, permitindo-nos conhecer facilmente a região sul, as praias e o estilo de vida noturno, como Seminyak, Kuta, Jimbaran, Nusa Dua e Uluwatu, e a zona de Ubud, para mergulharmos profundamente na natureza e nas tradições balinesas.

Os preços dos alojamentos são estupidamente baixos e não faltam opções de excelente qualidade. Tirando proveito desse facto, ficar numa villa com piscina privada e num resort de luxo são duas experiências que devemos tirar proveito. Claro está que o quarto-de-banho ao ar livre é um dos requisitos a cumprir!

Quanto a nós, em Jimbaran, ficamos numa villa privada no KUBU GWK e, em Ubud, optámos pelo resort Adiwana Arya Villa, com vista para os campos de arroz. Cada um proporciona uma experiência diferente mas são ambos altamente recomendáveis.

Transportes

Os transportes públicos são praticamente inexistentes em Bali, obrigando-nos a encontrar formas criativas de explorar a ilha. Muitos turistas optam por alugar uma scooter, contudo, o trânsito é caótico, circulam no sentido contrário ao europeu, a maioria dos lugares a visitar são de difícil acesso, em ruas mal pavimentadas e em penhascos para a morte certa, e por isso mesmo, não é algo que recomende, a não ser que tenhas por perto um ávido e experiente condutor de mota a quem possas confiar a tua vida. Para além disso, vais precisar de uma licença de condução internacional.

A opção segura passa por contratar um guia/condutor local e experiente que te acompanhe. Pesquisei várias empresas mas foi na Go Adventure Bali que conheci a Nilla, uma guia local, super atenciosa e disponível que, para além de nos levar onde queríamos, recomendou-nos locais para comer e ainda nos tirou fotos magníficas. É também muito flexível, tem pacotes já predefinidos para excursões de dia inteiro e foi uma ajuda preciosa no planeamento do itinerário.

O que fazer?





Brevemente


Samaná, o caribe da natureza

Quando pensamos em Caraíbas, muito provavelmente não será Samaná o primeiro nome que nos ocorre, e ainda bem. Apesar de estar a ganhar cada vez mais fãs, esta pequena península no norte da República Dominicana é ainda um pequeno tesouro escondido, recheado de recantos naturais para descobrir e paisagens deslumbrantes!

O primeiro grande trunfo surge logo a escassos metros do resort, são quilómetros e quilómetros de praias praticamente desertas! Sem zonas concessionadas por hotéis apetrechadas de espreguiçadeiras, as palmeiras vingam pela orla costeira, inclinando para a água quentinha e para a areia fina que toca os nossos pés. Este cenário quase exige uma caminhada diária pelo pôr-do-sol, que transforma o céu  num verdadeiro espetáculo de cor.

Ficamos hospedados na zona de Las Terrenas, onde milhares de peixes tropicais encontram casa nos inúmeros recifes de coral que pontilham o mar. É um local perfeito para os amantes de snorkeling, mergulho ou outras atividades ligadas à agua, como o kayak e catamarã, onde podemos flutuar a escassos centímetros dos recifes e pudemos observar toda aquela vida submarina.

São várias as excursões oferecidas pelos operadores turísticos mas é incontornável a visita ao Parque Nacional Los Haitises. Esta área de protegida com mais de 800 quilómetros quadrados é uma incrível obra-prima da natureza, onde enormes colinas de calcário foram esculpidas pelo mar e decoradas de forma minuciosa pela flora ao longo de milhares de anos.

O parque aloja também inúmeras espécies de plantas e animais, incluindo, por exemplo, pelicanos e manguezais que criam a simbiose perfeita entre a água e a natureza. A floresta faz com que haja uma espécie de clima subtropical, em que a precipitação é frequente, portanto há que se ir mentalmente preparado para apanhar uma refrescante chuvinha à moda das Caraíbas.

Munidos de repelente de insetos e debaixo de uma humidade quase sufocante, aventurámo-nos pela selva para encontrar encontrar as cavernas outrora ocupadas por Nativos Americanos, decoradas com pictogramas destes habitantes pioneiros de Samaná.

Para os ansiosos em reviver o anúncio publicitário da Bacardi de 1991, é imprescindível visitar a paradisíaca ilha de Cayo Levantado e aproveitar a gastronomia e a hospitalidade local, seja para fazer compras de lembranças após mais umas horas ao sol na areia branca da ilha ou então apenas para dançar ao ritmo fervoroso e contagiante das músicas dominicanas. Ah! E quando já não houver dinheiro para mais lembranças, os locais estão sempre dispostos a trocar sapatilhas ou outros acessórios de moda, bem à moda antiga.

Outra das excursões que não podem deixar de fazer é ao El Limón. A cascata não tem estradas diretas, sendo que as únicas formas de acesso passam por uma caminhada pela selva ou por um inesquecível passeio a cavalo ao redor dos cursos de água e da vegetação. O percurso é lamacento e escorregadio e por segurança somos acompanhados por “voluntários” que esperam, claro, uma gratificação no final.

Após uns 40 minutos a cavalo e a pé por entre árvores de cacau e papaia, finalmente começámos a ouvir o som da água a cair e pouco depois nos deparámos com uma força impressionante da natureza, uma das coisas mais lindas que já tive a oportunidade de ver. A cascata estende-se pela rocha por vários metros até criar pequenas lagoas onde podemos nadar (no entanto, com algum cuidado ao entrar pois as rochas são escorregadias e não se consegue ver o fundo). A experiência de nadar debaixo de uma força desta dimensão é inexplicável e senti-me realmente um sortudo por a poder vivenciar.

A única parte dispensável desta excursão é a forma como os voluntários tratam os animais, e eu que sempre senti uma ligação especial aos cavalos estava a ficar bastante incomodado. No regresso ao rancho já cavalgava sozinho, e pus o guia a tirar fotos em vez de chatear a minha égua linda. 😂 Tirando esta situação, os voluntários são incansáveis e genuinamente preocupados com a nossa segurança, estão prontos a tirar fotos sempre que pedimos e são pessoas de origens humildes, de realidades diferentes da nossa e que precisam daquilo para viver e sustentar a família, portanto é importante contribuirmos com alguma ajuda monetária, o salário deles depende disso.

Não faltam bons motivos para visitar Samaná e a natureza que nos oferece foi para mim um fator determinante na escolha do destino. É também uma excelente alternativa para quem quer fugir às praias lotadas de Punta Cana, apesar de ser uma zona mais chuvosa, dada à densidade florestal. Contudo, a chuva não é de todo uma preocupação, pois 5 minutos depois já está um sol radiante e o calor húmido e abafado nunca nos abandona.

Se quiseres saber mais sobre a nossa viagem à República Dominicana, clica aqui para leres a revisão da Laura.