12 razões para viajar em Portugal

Muitas vezes ouvimos a expressão “Vamos para fora cá dentro” quando alguém quer dizer que as suas férias serão passadas dentro de Portugal. Engraçada esta expressão! De facto, mesmo tendo um período de férias no nosso país, e perto de casa, conseguimos sentir-nos distanciados o suficiente para conseguir um bom descanso. E este país tem tanto para se ver e conhecer!

Deixo-vos aqui 12 razões para visitar Portugal, o nosso maravilhoso país!

1- Tempo limitado

Para quem não tem muitos dias de férias, viajar em Portugal pode ser uma ótima opção. Em 2 ou 3 horas conseguimos percorrer uma boa distância de carro. Por vezes, até muito perto de casa se encontram pequenos paraísos que nos proporcionam umas ótimas férias ou fins-de-semana prolongados.

2- Medo de andar de avião

Para quem tem pânico de andar de avião, poder viajar de carro pelo nosso país é excelente e ainda dá a possibilidade de visitar várias cidades durante os dias que temos disponíveis e aproveitar as vistas da extensa costa do Atlântico e Mediterrâneo, mas também, do interior.

3- Barreira linguística?

Viajar ‘cá dentro’ é, normalmente, a primeira escolha para quem não sabe ou não se sente confortável em falar outra língua. Cá, temos a certeza que a barreira linguística não existirá e não irá atrapalhar as férias. Será sempre mais fácil fazer um pedido num restaurante, num alojamento ou até na praia.

4- Clima

O clima no nosso país é espectacular. É um dos países europeus com temperaturas mais amenas e mediterrâneas. Por isso, ao viajar por terras lusitanas há uma grande probabilidade de ter tempo de sol e calor, principalmente no verão. Ou então, se a preferência for de viajar em tempo mais frio, em certas regiões podem conseguir uma paisagem cheia de neve para aproveitar para fazer alguns desportos de inverno e o típico boneco de neve. Aqui, há um bocadinho de terra para todos os gostos.

Praia de Espinho

5- História

Estamos a falar de um país com milhares de anos de história. Os registos de como país vão até à Baixa Idade Média, falando de Portugal só como terra física a história remonta 500 000 anos. Por esta razão, não há como errar ao escolher o distrito/cidade/aldeia para passar uns dias. Se um dos seus interesses for história, em cada cantinho irá conseguir ver pedaços de história a contar.

6- Gastronomia

Preciso referir mais alguma coisa? Para quem for um bom garfo, que é como quem diz, um bom amante de comida, este é o destino ideal. Estamos a falar de uma dieta mediterrânea com excelente pão, azeite, sopas e cozidos, enchidos, temperos, peixe e marisco reforçando a bela da sardinha, doces, vinho, já para não falar das 1001 formas de cozinhar bacalhau. Não é há toa que os turistas estrangeiros ficam maravilhados com a nossa comida e prometem voltar muitas mais vezes.

7- Viajar com amigos

Para quem planeia uma viagem de grupo com amigos, mais uma vez, não sair do país é uma ideia. A nível de preços, geralmente, o nosso pedaço de terra tem uma relação qualidade-preço muito boa e, é muito acessível comparado com outros destinos. E, claro, num grupo de amigos nem todos tem as mesmas possibilidades monetárias, por essa razão, fazer uma viagem em que se consiga dividir despesas como numa road trip é uma boa forma de incluir todo o grupo.

Road trips para Aguieira em Coimbra e para os Passadiços do Paiva em Castelo de Paiva

8- Bons alojamentos

Nos últimos anos têm surgido cada vez mais alojamentos portugueses e com muita qualidade. Claro que devemos sempre ter cuidado com o que escolhemos mas, regra geral os hotéis e alojamentos locais estão a ficar com melhores condições. De Norte a Sul do país, existem alojamentos para todos os gostos, desde os mais acessíveis aos mais dispendiosos, dos mais simples aos mais luxuosos e desde o interior ao litoral.

Montebelo Aguieira Lake Resort 5* – Distrito de Coimbra

9- Praias

Para quem prefere viajar ou passar férias no verão (isto é, quase toda a gente) as nossas praias fazem as delícias desde as crianças até ao cidadão mais sénior. Desde a zona norte até ao Algarve, este cantinho do Atlântico foi abençoado com uma costa que se estende por 943 km no continente, 667 Km nos Açores e 250 Km na Madeira. Para além de se conseguir ir a banhos, as paisagens são lindíssimas conseguindo-se observar falésias, dunas, areais, etc. E resta-me referir a água quentinha que conseguimos ter no sul (mas, só mesmo no sul). Sendo justos, mergulhar nas praias do norte, pode ser comparado a 1000 agulhas a espetarem no nosso corpo. São praias lindas mas muito, muito frias. Contudo, na região do Algarve temos praias com água a temperaturas amenas.

10- Paisagem Campestre / Turismo Rural

Não só somos afortunados com praias lindíssimas, também temos paisagens campestres de cortar a respiração. É, sem dúvida, uma das maiores riquezas que podemos apresentar aos turistas. Temos planícies, montes e vales, barragens, vinhas, herdades, etc. Tudo para conseguir umas férias calmas e, é ideal para quem não gosta de praia ou prefere algo para uns dias de descanso e silêncio.

Barragem do Azibo em Macedo de Cavaleiros – Distrito de Bragança

11- Ilhas

O arquipélago dos Açores e da Madeira são perfeitos para uma escapadinha de 3 ou 4 dias. Pessoalmente só visitei a ilha da Madeira mas, tenho ouvido relatos em como a ilha de Porto Santo e as ilhas do Açores são espectaculares e com paisagens maravilhosas.

Jardim Tropical Monte Palace no Funchal – Madeira

12- Espirito hospitaleiro

Não há povo que receba tão bem como o português. Visitar outras cidades que não a nossa, é estar fora de casa mas sentir-se em casa. Portugal é familiar e é amizade. Cá, jantamos num restaurante e ficamos amigos do dono, ficamos hospedados num alojamento local e se lá voltarmos a pessoa que nos recebeu ainda se vai lembrar de nós e vai tratar-nos como se fossemos familiares, na praia vai haver sempre alguém que fique a tomar contas das nossas coisas enquanto vamos à água e o senhor dos gelados ou da Bola de Berlim vai tratar-nos sempre bem.

Como vêm são tudo excelentes razões para “ir para fora cá dentro” durante uns dias. E vocês? Lembram-se de mais alguma razão para viajar no nossa incrível país? Fico à espera das vossas dicas nos comentários, porque ainda há muito verão para aproveitar.

O belo caos do Cairo

Conhecida como uma cidade de contrastes a que 20 milhões de pessoas chamam lar, a capital do Egito surge irreverente, rasgando com a norma e criando um caos delicioso e apelativo. Do outro lado do Nilo, em Gizé, descansam as Grandes Pirâmides, como é possível resistir?

A minha descoberta do Cairo começou em Hurghada, uma estância balnear no Mar Vermelho, o que me obrigou a percorrer mais de 450 quilómetros de autocarro Egito acima. Existe a possibilidade de fazer esta excursão de avião, mas fica substancialmente mais cara.

Para quem parte de Hurghada, a aventura começa de madrugada, às 2:30 da manhã. A NABQ Tours tratou de nos recolher diretamente no nosso hotel, que nos preparou o pequeno-almoço para levar. A viagem é longa porém o autocarro é confortável, dispõe de ar condicionado e WC. (Apesar de eu nunca conseguir dormir em viagens 😓)

O alvoroço começa bem antes da chegada ao centro da capital, com a intensificação do trânsito e das imensas torres de apartamentos em construção que se erguem, não faltam cartazes a publicitar novos empreendimentos de luxo para uma cidade em constante expansão. Na parte mais antiga vêm-se inúmeros apartamentos por terminar, apenas em tijolo, porém já parcialmente habitados. Cairo é uma cidade suja, poluída (confirmem o smog nas fotos) e onde se vê muita pobreza, incluindo crianças a pedir comida, pelo que se torna importante enfrentar a visita de mente aberta e encarar aquilo que é a normalidade naquele lado do planeta.

O programa da excursão começa pela visita ao Museu Egípcio, com um dos maiores espólios arqueológicos do mundo permite-nos obter uma perspetiva de como era o quotidiano no Antigo Egito  através de artefactos com milhares de anos.

Inclui os maravilhosos tesouros encontrados no infame túmulo de Tutankhamon, bem como a sua máscara fúnebre e os sarcófagos. Não faltam múmias, esfinges, jarras canópicas e papiros recheados de hieróglifos para apreciar. Então eu, como amante de história que sou, era menino para passar lá o dia inteiro.

O panorama do Cairo não pode ficar completo sem um cruzeiro no Nilo. Esta artéria desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento do Egito, tanto na irrigação de campos como meio de transporte e há quem defenda que até a edificação das pirâmides não seria possível sem este rio. Apesar de já não ter crocodilos devido à construção da barragem de Assuão, ainda hoje é inegável o charme e a energia que o Nilo transborda para as cidades egípcias que atravessa.

Por falar em atravessar, apesar do nosso guia atravessar as ruas com a maior das facilidades, nós achamos bem difícil segui-lo sem sermos atropelados pelas imensas carrinhas, carros, carroças, burros, camelos e buzinadelas. No final, o truque acaba por ser aquela benção básica e YOLO, just go for it.

À medida que nos aproximamos de Gizé, obtemos a primeira vista das Grandes Pirâmides e a sensação é algo inexplicável. É aqui que nos apercebemos o quão próximo estamos de realizar um sonho e que todas aquelas ilustrações que vimos nos livros da escola são, de facto, reais e tangíveis.

É com a vista da imagem em cima que almoçámos, num restaurante local incluído no itinerário. Depois do almoço, partimos para o Instituto Nacional do Papiro. Confesso que no início mostrei algum desinteressem mas depois de me mostrarem como os papiros são fabricados, acabei por sair de lá com um papiro que está agora em exibição no hall de entrada lá de casa 😂

Neste momento, a ansiedade de ver as pirâmides de perto era mais que muita e num instante, ali estavam elas, os enormes blocos perfeitamente empilhados a constituírem as únicas maravilhas que restam do Mundo Antigo. Subimos aos nossos camelos e liderei o grupo até ao “panorama”, para vermos as massivas estruturas alinhadas no meio da imensa areia do deserto do Saara.

Para recordares como foi a minha expedição pelo deserto na Tunísia, clica aqui.

No sopé das pirâmides, não faltam bancas a vender souvenirs e por incrível que pareça, é aqui que são mais baratos e genuínos, pelo que recomendo que tentem resistir ao máximo às imensas ofertas no centro de Gizé. Comprámos ímans por menos de 1€ cada um e ainda trouxe uma estatueta de Anúbis feita em pedra maciça que me ficou por menos de 10€.

Entrámos na pirâmide da Rainha Henutsen, irmã do faraó Quéops, que construiu a maior das pirâmides. Apesar de bem mais pequena, o percurso até à câmara do sarcófago fez uma das minhas companheiras de viagem desistir no primeiro patamar. Temos que entrar agachados e descer por um túnel claustrofóbico, sob um calor intenso e odores peculiares. A experiência é única e no meu ponto de vista bastante interessante mas quem está à espera de chegar a uma sala recheada de cor e hieróglifos vai sair desiludido.

Despedimo-nos do Planalto de Gizé na famosa Esfinge, a maior das estátuas alguma vez construída pelo Homem e que ainda hoje guarda imponentemente as pirâmides, apesar de, compreensivelmente, já ter perdido o seu nariz e barba ao longo dos seus mais de 4500 anos de existência.

A excursão a partir de Hurghada é extremamente cansativa, para além da viagem, passamos o dia numa autêntica correria para conseguir aproveitar ao máximo. Fiquei com pena de não ter tido mais tempo para explorar todo o potencial da capital do Egito mas penso que ainda assim é imperdível para quem visita o Egito pela primeira vez desde o Mar Vermelho e vale cada cêntimo dos 50€ que pagámos. O cruzeiro no Nilo e andar de camelo nas pirâmides são opcionais e têm um custo adicional de 10€ e 12€, respetivamente.

O Cairo é uma cidade como nenhuma outra, que nos faz chocar com uma realidade absolutamente diferente da que estamos habituados e em simultâneo nos presenteia com uma beleza que lentamente nos seduz e se perpetua na memória. Posso voltar já, por favor?