Nusa Penida, um diamante por lapidar

A sudeste de Bali, na Indonésia, surge um pedaço de terra onde as cores são mais intensas, quase como se estivéssemos sob o efeito de substâncias alucinógenas. Na ilha de Nusa Penida, a água rouba o azul ao céu e os seus penhascos verdejantes provocam inveja às mais belas praias tropicais asiáticas.

Partimos do porto de Sanur por volta das 8 da manhã, o que implicou acordarmos super cedo porque ainda tivemos que fazer o transporte desde o nosso alojamento em Jimbaran. A aventura começa logo na parte em que para entrarmos no barco temos que tirar as sapatilhas e seguir mar dentro, descalços pela água lamacenta até alcançarmos o barco que flutua na margem, sem pontão onde atracar. A viagem demora cerca de 1 hora até Nusa Penida.

Local de embarque no porto de Sanur.

Se já estão a achar difícil esta excursão, preparem-se, estou apenas a aquecer! No porto de Nusa Penida o nosso guia, o Noma, aguardava-nos ansiosamente, num inglês macarrónico escoltou-nos até um bólide híbrido entre o shuttle e o jipe, sem ar condicionado, e ao som de Bruno Mars e Bob Marley enfrentámos a pior viagem que já tivemos num veículo, entre precipícios e caminhos sem rua asfaltada, imensos buracos, calor e saltos no banco, demorámos mais 1 hora até chegarmos ao primeiro ponto da nossa visita à ilha.

Não esquecer: sapatilhas confortáveis, chapéu e óculos de sol, mochila com protetor solar, toalha de praia e bastante água engarrafada. Nós levamos duas garrafas de 50 cl cada um, sendo que uma delas deixamos a congelar durante a noite para se manter fresca durante mais tempo. É extremamente importante manter uma boa hidratação, uma vez que o calor é insuportável e os acessos exigem bastante da nossa forma física.

Kelingking Beach

Esta é, talvez, a mais famosa praia do Instagram, conhecida pela sua falésia em formato de dinossauro. Ao chegar lá, primeiro sentimos o alívio de levantar o rabiote do bólide híbrido, e depois deparámo-nos com uma paisagem envolvente que não desilude. É exatamente igual ao que vemos nas fotos e as cores da água são arrebatadoras! Contudo, é absolutamente proibido mergulhar nas águas da Kelinking, uma vez que o formato peculiar da praia cria correntes extremamente fortes e perigosas.

Vista do topo da falésia da praia Kelingking.

Se houver tempo, aconselho a longa descida até à areia pelos degraus no topo da falésia. Como nós tínhamos um programa apertado a cumprir, optámos por não o fazer, uma vez que queríamos aproveitar outros locais para fazer um pouco de praia onde se pudesse efetivamente mergulhar.

Ao evitar a descida, este local é o de acesso mais fácil de Nusa Penida. Na mesma zona, existe um bar de apoio e vários miradouros criativos para enchermos a memória do telemóvel com fotos para fazer inveja aos amigos no Instagram. Por falar nisso, a rede de telemóvel na ilha é praticamente inexistente.

Um dos vários miradouros com vista para a parte posterior da praia.

O almoço, que está incluído no valor da excursão, foi num restaurante por perto, numa refrescante cabana perdida no meio de palmeiras. O prato incluído foi frango grelhado servido com arroz e um molho agridoce extremamente picante. Quanto às bebidas, optámos pela água de coco natural, que foi um bom combustível hidratante para a jornada que se seguia, embora tivesse sido melhor servida fresca.

Atuh Beach

Depois de mais uma alucinante viagem no bólide híbrido, onde já havia esmorecido o entusiasmo pelas músicas do Bob Marley e Bruno Mars, que se iam repetindo a cada 20 minutos, chegámos finalmente à maior surpresa de toda a excursão: a praia de Atuh, um pequeno trecho de areia encostado a uma belíssima falésia sedimentar. Para atingirmos o areal, é necessário descer uma vertiginosa escadaria, esculpida na parede da falésia e que não deve ser encarada de ânimo leve, pois é necessária muita coragem e esforço físico até lá abaixo, mas principalmente coragem. Na porção terminal da escadaria, os degraus são substituídos por uma corda e por pequenas saliências nos sedimentos que temos de escalar.

Paisagem idílica do topo da falésia de Atuh.

A descida é imediatamente recompensada assim que pousamos os pés na areia e nos vemos rodeados de uma beleza extraordinária e de uma leveza de espírito que é difícil de encontrar. As ondas aqui também são bastante intimidantes, mas não foram páreas para quem está habituado às praias de Vila Nova de Gaia, e a retribuição, para além da mistura de azuis incríveis, é a temperatura da própria água, que é uma delícia para quem acabou de arriscar a vida a descer uma falésia sob um calor abrasador.

Acho que dá para perceber no meu sorriso de quem acabou de encontrar o Éden, o quanto eu amei esta praia.

O areal é suficientemente grande para estender a toalha e desfrutar do sol, no entanto, ainda sobre a força das ondas, é preciso ter algum cuidado pois por se tratar de uma praia selvagem, não existem salva-vidas. A pior parte, depois de começarmos a acusar o cansaço da praia e do calor extremo, é voltar a subir a escarpa. A minha sugestão passa por se fingirem de mortos e esperar que vos venham buscar de helicóptero.

Rumah Pohon Treehouse

O último destino da nossa excursão foi a mítica casa-da-árvore de Rumah Pohon, que se encontra inserida num alojamento turístico, em que é de facto possível reservar quartos. Imaginam-se a acordar com uma vista destas?

Bem-vindos à minha crib. A magia acontece mesmo nestes degraus porque não há espaço para mais.

Para alcançar a casa-da-árvore imaginem-se só, é preciso descer escadas. E se nesta altura começares a pensar se vale a pena o esforço só para tirar umas fotos, a resposta curta é sim. Muito mais que a foto incrível que vais tirar, vale por toda a atmosfera surreal do local, sendo que facilmente damos por nós a ponderar dar uma de Lagoa Azul e largar tudo para viver numa simples cabana.

Pequeno santuário no penhasco da casa-da-árvore.

Depois de intermináveis sessões de fotos, demos por terminada a visita a Rumah Pohon e com isto concluímos a nossa excursão por Nusa Penida, mas não sem antes termos uma experiência de quase-morte, com o nosso bólide híbrido a derrapar em direção ao desfiladeiro e comigo a ponderar saltar porta fora.

O total da excursão ficou por 80 dólares americanos por pessoa e foi organizada em conjunto com a Nilla, da GoAdventureBali. Se conseguirem dispor do tempo, aconselho a ficarem alojados 2 ou 3 dias nesta ilha, pois o que vos mostrámos é apenas parte do seu gigante potencial e capacidade de proporcionar uma experiência ímpar.

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À caça de cascatas no norte de Bali

No norte da ilha é onde encontrámos a natureza no seu estado selvagem, uma região montanhosa onde o clima é inconstante, mais propício à chuva e ao frio, contudo, é também onde as águas se atiram do cimo das rochas e formam algumas das cascatas mais incríveis que podemos encontrar no planeta. Os exemplos abaixo são apenas alguns das inúmeras opções de cascatas em Bali.

Portão de Handara

No caminho para as cascatas do norte, apresenta-se o famoso Portão de Handara e este foi, sem qualquer dúvida, o lugar que mais me desiludiu em Bali. Não é nada mais que um pórtico, construído como entrada para um resort de golf, que se tornou local de peregrinação para os afincados influencers do Instagram. O resultado disso é ter de ficar numa fila e pagar uma taxa para tirar uma simples foto. Na minha modesta opinião, o tempo que passamos em Bali é demasiado valioso para o perdermos numa fila.

Apesar da desilusão, é sempre divertido tirar uma foto a saltar.

Cascata de Banyumala

Ninguém disse que chegar ao paraíso era fácil e, de um modo geral, todos os “pedacinhos do Éden” que podemos encontrar na ilha são de difícil acesso e exigem uma boa caminhada, por entre selva, lama e rochas. Isto é ótimo para os fãs de trekking, mas nem tanto para quem não tem uma preparação física adequada. Ou seja, se visitar Bali está nos teus planos, o meu conselho é que comeces o treino o quanto antes e adiciones à tua lista de bagagem umas sapatilhas (aka ténis) com boa aderência ao solo.

A lendária cascata de Banuymala.

A cascata de Banyumala exige uma descida (e consequente subida) de cerca de 20 minutos, desde a área de estacionamento. O percurso com corrimão em bambu já é parte da recompensa pelo esforço, pelas paisagens vertiginosas rodeadas de vegetação, no entanto, atingir o fundo, ouvir e mergulhar nas suas águas refrescantes é, sem qualquer exagero, uma das melhores sensações do mundo. Nadar até à queda de água e sentir a sua força no corpo é quase como ser abraçado pela própria natureza.

Cascatas de Banyu Wana Amerta

A próxima paragem é um local, não com uma, mas com três cascatas! Na descida tivemos uma autêntica aula de botânica e observámos ananáses, a peculiar jaca, aloé vera, malaguetas, descobrimos como é cultivado o café e ainda houve tempo para comer bananas típicas, que são pouco maiores que um dedo.

A mais pequena das três cascatas.

Ao longo do percurso somos abençoados pelas várias cascatas que se concentram nesta área, para além de árvores milenares, cujas raízes alcançam vários metros de comprimento e, nos seus troncos, se formam frutos que viemos a saber serem venenosos, pelo simples facto de os animais não se alimentarem deles.

É importante referir que, em nenhuma destas cascatas, é possível mergulhar ou tomar banho, devido ao baixo caudal de água disponível. Contudo, a verdadeira magia está em apreciar a serenidade e esta obra-prima meticulosamente criada pela natureza.

A imponência da água num cenário surreal.

Surpreendentemente, estas cascatas em particular não parecem ser muito conhecidas pelo comum turista e nós éramos praticamente os únicos a visitar este local. E vamos tentar com que se mantenha assim, como um segredinho só nosso!

Vale lembrar que a responsabilidade de preservar esta beleza é de cada um de nós, sendo que as únicas coisas que devem lá ficar são as pegadas que deixamos para trás.

A entrada nos percursos das cascatas tem um custo de 30.000 rupias indonésias, o equivalente a cerca de 2€.

Tempo de Ulun Danu Bratan

A água é, para os balineses, um elemento sagrado e de purificação e isso reflete-se pela sua presença na maioria dos seus templos, contudo, poucas são as estruturas que enfatizam esse facto como Ulun Danu, em que o pagode onde é guardada a água sagrada se encontra rodeado por um lago.

Pagode sagrado rodeado de flores.

O mais peculiar é que, esse mesmo lago, à semelhança dos oceanos, possui maré baixa e maré alta, deixando a descoberto a área em que o pagode do templo está envolto no período de maré baixa. Curioso também é tentar imaginar para onde irá a água durante esse período, num lago situado a mais de 1300 metros de altura.

A paisagem, delimitada pelas montanhas e pelos jardins extremamente cuidados e coloridos conferem a este templo uma beleza imensurável e vale, por si só, a visita a este local. O custo de entrada é de 50.000 rupias indonésias, cerca de 3,30€.

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Escalámos um vulcão ativo!

Se nas minhas aulas de Geologia me perguntassem se alguma vez iria escalar um vulcão ativo, muito provavelmente diria que não, contudo, a vida tem destas coisas e, praticamente no outro lado do globo, levantei-me da cama à 1h30 da manhã e pus-me a caminho, de lanterna em punho pelo meio da floresta, para escalar o monte Batur, um dos dois vulcões ativos na ilha de Bali, na Indonésia.

Uma vez que o vulcão se encontra localizado numa área tipicamente mais fria da ilha e o percurso se inicia de madrugada, é aconselhado um vestuário adequado e versátil, que nos permita mantermo-nos quentes na fase inicial da caminhada e ao mesmo tempo, refrescar quando o suor proveniente do esforço da escalada começar a surgir. Também recomendo umas sapatilhas de trekking para melhorar a aderência ao piso irregular.

Templo que marca o início da subida, iluminado pelas lanternas do grupo.

Do nosso alojamento em Jimbaran, demorámos cerca de 2 horas a chegar ao ponto de partida na base do vulcão. Depois de bebermos um chá quentinho, começámos a nossa caminhada com os nossos guias, Cadê e Adi, por trechos de terra entre campos de cultivo, em completa escuridão, apenas iluminados pelas lanternas que nos forneceram e por um incrível céu estrelado, livre de poluição luminosa. Mais à frente, entrámos na floresta densa e encontrámos um templo digno de um jogo da Lara Croft, e é precisamente aqui que a dificuldade do percurso se começa a acentuar, o caminho torna-se íngreme e sinuoso. Ao longe, vemos as luzes das lanternas dos outros grupos a contornarem o cume e começámos a duvidar da nossa capacidade de resistência: como é que as nossas coxinhas de frango sedentário vão conseguir chegar lá acima?

Transformação do céu enquanto subíamos.

De facto, não é um percurso que se deva subestimar. E quem não tiver minimamente preparado vai ter sérias dificuldades em atingir o cume a tempo de ver o nascer-do-sol. Enquanto subimos vamos percebendo a mudança de cor no horizonte, porém, a verdadeira recompensa só obtemos ao atingirmos o cume, ao sentarmo-nos, com a nossa aparência de porco fumado numa sauna sueca, e vê-mos aquele ponto brilhante e incandescente pintar o céu de um laranja surreal, com o monte Agung a piscar-nos o olho, escondido timidamente atrás de uma enorme montanha, sobre um lago que reflete todo este espetáculo.

O esperado momento, de contemplação e agradecimento.

Para recuperarmos energia, somos presenteados com o pequeno-almoço: ovos cozidos no vapor do vulcão e pão com pasta de banana. Como companhia temos os habitantes permanentes, os macacos, que atacam ferozmente qualquer pedaço de pão deixado ao abandono.

Um dos habitantes permanentes a degustar o pequeno-almoço.

Quando o sol já brilha alto no céu e pensámos que o melhor terminou, o Cadê levou-nos a percorrer a cratera e aqui finalmente temos a verdadeira noção de onde nos encontrámos. À medida que vamos observando o vapor a sair de frestas nas rochas, percebemos que estamos a mais de 1700 metros acima do nível do mar, no topo de um vulcão ativo que pode entrar em erupção a qualquer momento! A sensação é um misto de receio e de entusiasmo.

A aproveitar o vapor do vulcão para aquecer.

No regresso, ao descer o cume em plena luz do dia, as paisagens deslumbrantes deixam transparecer os vestígios de atividade geológica, como os percursos da lava da última erupção do Batur, rochosa e inóspita, em comparação com a erupção do Agung, fluída e agora já transformada num solo rico e verdejante. Todos os detalhes foram apontados pelo Cadê, de uma forma altamente pormenorizada e de fácil entendimento.

A mancha negra é a lava rochosa expelida na última erupção do Batur.

O custo desta excursão, organizada pela Nilla da Go Adventure Bali, ficou por cerca de 630000 rupias indonésias (40 euros). Caso haja alguém que não aguente fazer a subida até ao cume, existe a opção de a fazer de mota, com custo adicional. Não esquecer também que é indispensável obter um seguro de viagem e que, aderindo através deste link, o ótimo seguro da IATI sem franquias, fica com 5% de desconto.

O grupo completo, com os nossos guias, Cadê e Adi.

A excursão não estava nos nossos planos iniciais mas bastou a sugestão ao grupo para percebermos que não poderíamos perder o espetáculo de ver o nascer-do-sol no topo de um vulcão ativo, provavelmente numa experiência única na nossa vida. Na verdade, a excursão vale a pena não só pelo nascer-do-sol mas por toda a aventura que nos proporciona, desde a aula de geologia ao desafio que é a exigente escalada.

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Ubud, o coração de Bali

Ah, Ubud! As veias de Bali convergem neste ponto, o centro espiritual e cultural da ilha. Nenhuma viagem à ilha dos deuses termina sem uma visita aos magníficos campos de arroz e aos templos ancestrais, sem absorver o trânsito caótico e a vida de resort com piscina infinita. Para além disso, é um ótimo ponto estratégico para explorar a região norte da ilha.

Tegalalang

As plantações de arroz são parte integrante da identidade cultural da ilha. Para além de alimentarem a população e servirem como motor de exportação, fazem as delícias dos turistas e dos instagrammers que peregrinam de todo o mundo, rumo a Ubud.

Terraços do Alas Harum Agro Tourism.

Uma forma única de experienciar estas paisagens idílicas é, sem dúvida, através dos baloiços que se parecem multiplicar em cada miradouro. No Alas Harum Agro Tourism temos os tais míticos baloiços, em vários formatos, mas temos muito mais! Podemos aprender imenso sobre a flora da ilha, desde a canela à citronela, existem imensas plantas sobre as quais extrair conhecimento.

Grãos de café em excrementos de Luwak.

Porém, o café, é a verdadeira estrela deste espaço. Aqui podemos ver como é produzido o café Luwak, um dos mais caros e procurados do mundo. A sua peculiaridade deriva precisamente do facto de ser o próprio Luwak, ou civeta, a escolher as melhores bagas de café, que come sem mastigar, sendo estas fermentadas e digeridas no estômago do animal até restar apenas o grão, que é excretado nas fezes. Os grãos fermentados são colhidos das fezes do Luwak, fervidos para retirar as impurezas e posteriormente torrados e moídos artesanalmente. Todo este processo intensifica o café, atribuindo-lhe um sabor intenso e adocicado. Uma verdadeira iguaria!

Degustação de chás e cafés.

Para além do café Luwak, esta fazenda também oferece degustação de vários chás e outros cafés locais. No final, podemos inclusivamente comprar as nossas bebidas favoritas com a garantia de serem genuínas e produzidas localmente. Existem muitos outros espaços onde podemos comprar estes produtos de forma mais económica, contudo, poderão não ser genuínos.

Para quem ficou curioso em andar de baloiço, neste local, o preço varia entre as 160000 e as 200000 rúpias indonésias por 15 empurrões (10€ e 13€, respetivamente), consoante o seu nível de intensidade. E por muito cliché que seja, vale a pena! Para além das fotos bonitas, dá-nos uma sensação incrível de liberdade.

Templo de Tirta Empul

Independentemente da religião que praticamos, os balineses estão dispostos a receberem-nos de braços abertos nos seus costumes e rituais religiosos, e por isso estar-lhes-ei eternamente grato pois proporcionaram-me experiências de viagem transcendentes. De ti, só exigem que participes de mente e espírito abertos.

A nascente sagrada.

Para os hindus, a água é um elemento sagrado e purificador e por essa mesma razão, o templo de Tirta Empul é um dos mais importantes de Bali. A criação do complexo remete-nos ao aparecimento do deus Indra para matar um rei que impedia a população de o venerar. No assassinato, foi formada a nascente de Tirta Empul. É possível ver o buraco de onde brota a água sagrada que alimenta as 30 fontes do templo.

Fontes de purificação.

Cada fonte possui um significado diferente, havendo algumas que, por respeito, devem ser evitadas, pois apenas devem ser utilizadas em situações específicas, como em casos de perda de algum familiar. Devemos banharmo-nos em, pelo menos, 13 das fontes do templo para completar o ritual de purificação. Os locais encarregam-se de explicar o que podemos ou não fazer, mas em nenhum momento devemos entrar no tanque sagrado sem utilizar o sarong verde que vemos na imagem, que tem que ser alugado no próprio templo, onde existem balneários específicos para a muda de roupa. Nunca poderei traduzir em palavras o que senti ao participar neste ritual, mas é um momento de agradecimento, pedidos e introspecção pessoal que cada um deve interpretar à sua maneira. O meu maior desafio foi conseguir abstrair-me das majestosas carpas que acompanhavam os nossos banhos.

A entrada no templo, o aluguer do sarong de purificação e do cacifo ficou por cerca de 115000 rúpias indonésias (7,30€).

Templo de Gunung Kawi

O templo de Gunung Kawi fica localizado num cenário maravilhoso, entre um riacho formidável protegido por árvores de raízes milenares, lianas e campos de arroz. Os imponentes altares deste templo estão esculpidos na própria rocha e são, na verdade, túmulos funerários da antiga dinastia balinesa.

Percurso até aos altares esculpidos na rocha.

Para lá chegar é necessário descer vários lanços de escadaria, o problema é voltar a subir quando a visita estiver concluída, no entanto, acaba por não ser tão doloroso se aproveitarmos para fazer compras nas inúmeras tendinhas de artesanato. Aqui podemos ver o artesanato local em estado puro, com vários locais ainda no processo de esculpir os produtos.

A entrada no recinto tem um custo de 50000 rupias indonésias (cerca de 3,20€).

Mercado de Ubud

Já que falamos em compras, o mercado de Ubud, localizado em frente ao palácio, no centro da cidade, é onde é possível encontrar os souvenirs mais baratos, contudo, é preciso ter em atenção que a qualidade artesanal dos produtos será compatível com o preço.

O trânsito caótico em frente ao Palácio de Ubud.

Mesmo assim, é necessário muito regateio para conseguirmos alcançar o preço que desejámos e há quem diga que o preço inicial é 3x superior àquele que é o justo. Regatear é algo muito intrínseco na cultura balinesa, sendo que os comerciantes acreditam que a sua própria sorte deriva do preço a que vendem os artigos.

Floresta dos Macacos

Os macacos em Bali são considerados sagrados e encontram-se espalhados um pouco por toda a ilha, porém, existe uma floresta que é dedicada especialmente a eles. Para lá chegar basta caminhar para sul a partir do Palácio de Ubud, na rua com o mesmo nome. Essa exata rua contém várias lojas boutique, vintage e de conceito e não faltam bons restaurantes para almoçar ou jantar.

Um macaco a guardar a sua cria.

A floresta é, na verdade, uma espécie de “jardim zoológico” exclusivamente de macacos, com muitas esculturas ancestrais e árvores sagradas decoradas com sarongs. É um bom local para fugir da loucura do centro de Ubud e ser transportado para onde a natureza, e os macacos, reinam. A entrada tem um custo de 80000 rupias indonésias (cerca de 5€).

Deixo o aviso que é preciso muito cuidado na abordagem aos animais, uma vez que estes tendem a ser agressivos quando se sentem ameaçados, podendo inclusivamente roubarem alguns pertences desprotegidos, como óculos-de-sol ou telemóveis.

Templo de Saraswati

Saraswati é a deusa hindu da sabedoria, artes e aprendizagem e o seu templo é um dos mais bonitos da região de Ubud. Aqui realizam-se espetáculos de dança kecak, a par do templo de Uluwatu, sendo que no exterior não faltam locais a tentar vender bilhetes para o espetáculo.

Corredor central do templo.

É facilmente acessível a partir do centro de Ubud e o corredor central da entrada do templo divide um lago artificial repleto de nenúfares, flores de lótus e carpas. A entrada no recinto principal está restrita aos locais em dias de cerimónia, porém, é possível visitar esta área dos nenúfares de forma completamente gratuita.

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O derradeiro guia para visitar Bali

O cansaço das intermináveis horas de voo desvanece no momento em que pisámos o chão sagrado de Bali. Visitar esta ilha da Indonésia não é apenas mais uma viagem, é toda uma experiência cultural, uma aventura pela natureza e uma descoberta espiritual que nos transcende. Apesar de ser um destino turístico e comercial, supera todas as nossas expectativas, faz jus ao hype e nos deixa em êxtase absoluto. Vamos desvendar os mitos para que possas começar a planear agora mesmo a tua visita.

Voos

Começamos pela parte que dói mais: a viagem até lá. A maioria das rotas tem a duração de cerca de 22 horas de percurso, com uma ou mais escalas. A faixa de preços situa-se entre os 500€ e os 900€, para ida e volta em classe económica, sendo que pagar mais que isso não me parece que seja razoável. Quanto mais cedo reservarmos, maior a probabilidade de apanharmos uma pechincha. O meu voo ficou por 700€, pela Singapore Airlines, com escalas em Frankfurt e Singapura.

Quando visitar?

O clima na Indonésia divide-se em estação seca, entre abril e outubro, e a estação das chuvas, entre novembro e março. Sugiro que se opte por datas dentro da estação seca ou num período de transição, pois as temperaturas são mais amenas e existe menos precipitação. Devemos também evitar os meses da época alta, como julho, agosto e dezembro, altura em que os preços sobem abruptamente e a ilha fica inundada de turistas. Nós fizemos a nossa viagem no final de outubro e início de novembro e apanhámos um tempo incrível.

Penhascos idílicos de Nusa Penida.

Por quanto tempo?

Resposta rápida: quanto mais tempo melhor! A ilha tem imensa coisa para ver e toda a atmosfera remete para nos prender por lá tanto tempo quando possamos dispensar. Contudo, sei o quanto é difícil fazer a gestão dos nossos dias de férias e por isso recomendo, no mínimo, 10 dias no terreno, isto é, sem contar com o tempo de viagem.

Regime de entrada e moeda

Para visitantes de Portugal, é apenas necessário passaporte com pelo menos 6 meses de validade à data de saída da Indonésia. O visto conferido à chegada é gratuito e válido por 30 dias. Para estadias de duração superior é necessário um visto especial emitido pela embaixada da Indonésia, ou então, sair e voltar a entrar do país após os 30 dias iniciais.

A moeda utilizada é a rupia indonésia (IDR) e, como sempre, aconselho a utilização do cartão Revolut para evitar o pagamento das taxas de cambio e de levantamentos (vê como aderir de forma gratuita aqui). Funcionou na perfeição em todas as caixas multibanco que utilizei e melhor ainda nos pagamentos diretamente com o cartão.

Saúde e segurança

Tendo em conta o clima exótico, propício a doenças tropicais a que não estamos habituados, é indispensável a realização da consulta do viajante. Desta forma conseguimos viajar informados acerca dos cuidados a ter, nomeadamente a nível de higiene ou até mesmo medidas para nos ajudar a enfrentar as longas horas de voo. No meu caso, tive também que tomar a vacina da Hepatite A.

O povo balinês é extremamente simpático e acolhedor e em nenhum momento me senti inseguro, no entanto, isso não invalida o uso do bom senso. Uma vez que, para usufruirmos do melhor que a ilha tem que para oferecer, implica termos que nos aventurar por caminhos pouco acessíveis e um tanto perigosos, é fundamental um bom seguro de viagem. Eu uso o seguro da IATI, que oferece assistência 24h/dia em português e é livre de franquias caso seja necessário ativar. Ao aderires aqui, obténs 5% de desconto sobre o preço de tabela.

Campos de arroz em Ubud.

Onde ficar?

Para uma primeira visita, e de forma a termos uma maior flexibilidade nas deslocações pela ilha, precisámos dividir a nossa estadia em duas áreas distintas: zona da península de Bukit, permitindo-nos conhecer facilmente a região sul, as praias e o estilo de vida noturno, como Seminyak, Kuta, Jimbaran, Nusa Dua e Uluwatu, e a zona de Ubud, para mergulharmos profundamente na natureza e nas tradições balinesas.

Os preços dos alojamentos são estupidamente baixos e não faltam opções de excelente qualidade. Tirando proveito desse facto, ficar numa villa com piscina privada e num resort de luxo são duas experiências que devemos tirar proveito. Claro está que o quarto-de-banho ao ar livre é um dos requisitos a cumprir!

Quanto a nós, em Jimbaran, ficamos numa villa privada no KUBU GWK e, em Ubud, optámos pelo resort Adiwana Arya Villa, com vista para os campos de arroz. Cada um proporciona uma experiência diferente mas são ambos altamente recomendáveis.

Transportes

Os transportes públicos são praticamente inexistentes em Bali, obrigando-nos a encontrar formas criativas de explorar a ilha. Muitos turistas optam por alugar uma scooter, contudo, o trânsito é caótico, circulam no sentido contrário ao europeu, a maioria dos lugares a visitar são de difícil acesso, em ruas mal pavimentadas e em penhascos para a morte certa, e por isso mesmo, não é algo que recomende, a não ser que tenhas por perto um ávido e experiente condutor de mota a quem possas confiar a tua vida. Para além disso, vais precisar de uma licença de condução internacional.

A opção segura passa por contratar um guia/condutor local e experiente que te acompanhe. Pesquisei várias empresas mas foi na Go Adventure Bali que conheci a Nilla, uma guia local, super atenciosa e disponível que, para além de nos levar onde queríamos, recomendou-nos locais para comer e ainda nos tirou fotos magníficas. É também muito flexível, tem pacotes já predefinidos para excursões de dia inteiro e foi uma ajuda preciosa no planeamento do itinerário.

O que fazer?





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