Alcochete, terra brava e de sal

Do outro lado da ponte Vasco da Gama, Alcochete espreita Lisboa, a pouco mais de 20 minutos do Parque das Nações. Recheada de tradições, a marginal estende-se abraçando o Tejo, desde as salinas ao centro da vila, com as suas pitorescas casas caiadas retocadas com linhas coloridas, lembrando-nos que já estamos no Ribatejo.

Centro da vila, com a câmara municipal à esquerda e a igreja paroquial ao fundo.

Comecemos por abordar o elefante no quarto: a maior parte das pessoas conhece Alcochete pelo Freeport Outlet, e enquanto vale a visita ao espaço comercial ao conhecer a vila, torna-se lamentável quando a visita a Alcochete é motivada, de forma exclusiva, pelas etiquetas a preço de fábrica.

O belo do arroz de tamboril.

A pequena vila tem muito para além das marcas, começando pela sua gastronomia, muito ligada ao rio, ao mar e à tradição piscatória, mas também às carnes, dado o culto da festa brava. E desta feita, temos a receita ideal para agradar a gregos e troianos, e possivelmente, também a vegetarianos.

No centro de Alcochete, perto do rio, temos ruas apertadas tornadas ainda mais estreitas pelas esplanadas dos imensos restaurantes, que confeccionam pratos típicos com uma qualidade descida dos céus, trazida até nós pelas sandálias de Hermes. Aqui, é conservado o ambiente genuinamente português da margem sul, ainda pouco explorada pelos turistas. Contudo, não se deixem enganar! Convém chegar cedo para arranjar mesa ou fazer reserva de antemão.

Detalhe das casas típicas.

Deixando o centro e caminhando pela marginal em direção a Lisboa, sentimos o Tejo a ser embalado pelo vento, um velho amigo sempre presente nesta zona, não fosse esta pontilhada por pequenos moinhos outrora ligados à moagem de cereais ou à elevação de águas nas marinhas das Salinas do Samouco.

Jardins do hotel ao por-do-sol.

Foi precisamente aqui, neste inesperado local, que fiquei alojado com a minha família no peculiar verão de 2020. A nossa escolha recaiu sobre o Praia do Sal Resort e durante 7 noites chamamos casa a um apartamento no empreendimento de 4 estrelas. A estadia, para mim, para os meus pais e para a minha sobrinha, ficou por cerca de 700€, com um fenomenal pequeno-almoço à la carte incluído. Quero deixar a observação que apenas conseguimos este preço porque reservamos em pleno confinamento, quando o receio e a pandemia estavam em esteróides.

O resort encontra-se preparado para responder às exigências do turismo de luxo, disponibilizando uma incrível piscina infinita exterior, que simula uma praia, a escassos metros do Tejo e ainda uma área de spa com piscina interior aquecida, jatos de água, banho turco, sauna, ginásio e gabinete de massagens. O staff é super atento e são todos muito simpáticos, com especial louvor para os rapazes da piscina, que a toda a hora desinfetavam as espreguiçadeiras mal se tornavam vagas. Os apartamentos são modernos e decorados com uma paleta de cores suaves alusivas ao sal e ao mar, transmitindo a tranquilidade que precisámos quando estamos de férias. A vantagem de estarmos alojados num apartamento, é também a possibilidade de cozinhar sempre que nos der a preguiça, ao mesmo tempo que salvamos um pouco o nosso budget.

A única crítica menos boa relativamente a este alojamento é devido ao facto de se terem esquecido de preparar uma pequena surpresa para o aniversário da minha sobrinha de 13 anos 😦

Por-do-sol a cair sobre Lisboa.

Mariquices à parte, o grande trunfo do hotel é a zona envolvente, tanto a vila de Alcochete como a localização, bem na Praia dos Moinhos, que apesar de não serem aconselhados banhos na água poluída do rio, convida a passeios revigorantes pelos passadiços e à pratica de desportos aquáticos, como o windsurf. Em jeito de cereja no topo do bolo, o por-do-sol nesta zona é, surpreendentemente, um dos mais bonitos que já vi na vida! Absolutamente soberbo.

Vista do Forte de São Filipe, em Setúbal.

Aproveitando o ponto estratégico, não faltam outros lugares para partir à aventura, nomeadamente o Castelo de Palmela, a cidade e Península de Setúbal, assim como Tróia e a Serra da Arrábida. Isto claro, já sem mencionar a proximidade de Lisboa, com incontáveis outras possibilidades.

Pelo trilho da frecha da Mizarela

Inserido no Geopark de Arouca, o trilho da frecha da Mizarela é uma aventura ímpar pela beleza da Serra da Freita, pelas suas cascatas, natureza e vistas arrebatadoras. Contudo, vale a pena deixar já o aviso de que não é, de todo, um percurso fácil, mesmo para quem está habituado a praticar exercício físico. Requer, acima de tudo, uma excelente capacidade de superação e resistência, chegando até a ser perigoso, tanto pelos trechos estreitos pelas falésias como pela dificuldade de acesso no caso de acontecer alguma coisa. Não é, portanto, recomendado para crianças ou idosos.

Sinalética do percurso a partir do parque de campismo.

O trilho circular inicia-se no parque de campismo do Merujal, onde se pode estacionar o carro. Daí, basta seguir as placas com a denominação do percurso PR7, que nos leva até ao miradouro da Mizarela, onde somos presenteados, desde logo, com um panorama incrível da cascata. Aproveitem para tirar a foto da praxe e digam adeus à civilização! O percurso deixa a estrada asfaltada e a rede móvel começa a falhar.

Marcas que assinalam o correto caminho do trilho, um “X” diz-nos que estamos no percurso errado.

A verdadeira aventura começa neste ponto, a partir do qual começamos a descer pela escarpa, num percurso de terra por entre a floresta. Se quisermos seguir o percurso sem desvios, precisamos de ficar atentos às marcas que se encontram presentes nas rochas e nos troncos, pois é muito fácil passarem despercebidas.

Final da área acessível do percurso da cascata, onde percebemos que nos tínhamos enganado no caminho.

Quando fizemos o percurso acabamos por continuar a descer até ao final da cascata e só depois percebemos que estávamos fora do trilho. No entanto, vale a pena o desvio para apreciar a descida vertiginosa da água e os vários regatos que serpenteiam as rochas. Existem até alguns laguinhos e pocinhas onde é possível mergulhar, apesar da água ser gelada! Aproveitámos para almoçar à beira das correntes, a ouvir o chilrear da água, antes de iniciarmos a subida para retomarmos o percurso.

Vista idílica dos patamares inferiores.

Voltar ao caminho correto não foi fácil, mesmo depois de termos recuperado as energias, uma vez que a subida é bastante íngreme e exige muito trabalho de coxa. Andamos meio perdidos até vislumbramos novamente as cores amarelas e vermelhas pintadas numa árvore, à direita de quem desce. A parte perigosa do trilho começou precisamente neste ponto, em que o caminho se resume a um pedaço de terra encostado à ravina.

Vista arrebatadora do trilho PR7. Não se deixem distrair, a queda é longa!

O caminho segue pela encosta e as vistas têm tanto de maravilhoso como vertiginoso, portanto, é recomendado um cuidado redobrado para quem já normalmente sofre deste mal. Seguimos descendo até à aldeia da Ribeira, por onde continua o leito da frecha. Aqui encontrámos algumas ruínas de casas abandonadas e uma ponte sobre a água, onde decidimos parar para recuperar o fôlego.

Ponte sobre o leito da frecha, onde se inicia a porção mais difícil do trilho.

A partir deste ponto e atravessando o ribeiro, é sempre a subir! O trilho segue pela encosta à nossa frente e temos que ir afastando a vegetação ao estilo de Lara Croft para conseguirmos prosseguir. Neste momento, o mais importante é focarmo-nos no objetivo e controlar a respiração, ignorando o facto que os nossos músculos da coxa já começam a dar de si.

No cimo da encosta, temos que nos agarrar a correntes pregadas nas rochas e basicamente rezar o terço para atravessarmos a ponte de madeira que se segue, empoleirada numa cascata e a precisar de uma boa manutenção. Mas nada de grave, seguimos porque, neste ponto, já estamos numa exaustão tal, que só queremos voltar a ver os nossos pais com vida.

Correntes de auxílio para descer a encosta.

Brincadeiras à parte, este percurso deve ser feito nos meses mais secos do ano, para evitar que se torne ainda mais perigoso, com a água a escorrer pelas rochas ou a neblina típica da Serra da Freita. Para além disso, também não é boa ideia fazê-lo em dias exageradamente quentes, porque a sombra apenas existe numa pequena parte inicial do trilho. É essencial umas boas sapatilhas, com boa aderência ao piso, levar também a água necessária a uma hidratação adequada e protetor solar.

A delicada ponte de madeira que nos permite saltar a cascata.

Depois da temida ponte, sentimos que o pior já passou e resta-nos poucos quilómetros até voltarmos à civilização. O caminho em frente tem menos vegetação, menos sombra e vale a pena reservar alguma água para este trecho final que nos presenteia com vistas desafogadas do horizonte sobre a serra, em dias de céu limpo.

Quando finalmente regressámos ao parque de campismo do Merujal, haviam passado 6 horas para percorrer os 8 quilómetros mais longos das nossas vidas. Claro que demoramos todo este tempo porque nos perdemos, fizemos desvios desnecessários e paramos algumas vezes, tanto para almoçar como para descansar. No site da Serra da Freita diz que é um trilho para 4 horas, o que não me parece humanamente possível.

Vista do miradouro da Mizarela, onde é possível observar o trilho que circunda as escarpas.

Como balanço final posso dizer que este trilho foi das experiências mais desafiantes que fiz, tanto a nível físico como psicológico, e o sentimento de superação é realmente recompensador, aliado a paisagens e lugares de uma beleza de cortar a respiração, em plena comunhão com a natureza.

12 razões para viajar em Portugal

Muitas vezes ouvimos a expressão “Vamos para fora cá dentro” quando alguém quer dizer que as suas férias serão passadas dentro de Portugal. Engraçada esta expressão! De facto, mesmo tendo um período de férias no nosso país, e perto de casa, conseguimos sentir-nos distanciados o suficiente para conseguir um bom descanso. E este país tem tanto para se ver e conhecer!

Deixo-vos aqui 12 razões para visitar Portugal, o nosso maravilhoso país!

1- Tempo limitado

Para quem não tem muitos dias de férias, viajar em Portugal pode ser uma ótima opção. Em 2 ou 3 horas conseguimos percorrer uma boa distância de carro. Por vezes, até muito perto de casa se encontram pequenos paraísos que nos proporcionam umas ótimas férias ou fins-de-semana prolongados.

2- Medo de andar de avião

Para quem tem pânico de andar de avião, poder viajar de carro pelo nosso país é excelente e ainda dá a possibilidade de visitar várias cidades durante os dias que temos disponíveis e aproveitar as vistas da extensa costa do Atlântico e Mediterrâneo, mas também, do interior.

3- Barreira linguística?

Viajar ‘cá dentro’ é, normalmente, a primeira escolha para quem não sabe ou não se sente confortável em falar outra língua. Cá, temos a certeza que a barreira linguística não existirá e não irá atrapalhar as férias. Será sempre mais fácil fazer um pedido num restaurante, num alojamento ou até na praia.

4- Clima

O clima no nosso país é espectacular. É um dos países europeus com temperaturas mais amenas e mediterrâneas. Por isso, ao viajar por terras lusitanas há uma grande probabilidade de ter tempo de sol e calor, principalmente no verão. Ou então, se a preferência for de viajar em tempo mais frio, em certas regiões podem conseguir uma paisagem cheia de neve para aproveitar para fazer alguns desportos de inverno e o típico boneco de neve. Aqui, há um bocadinho de terra para todos os gostos.

Praia de Espinho

5- História

Estamos a falar de um país com milhares de anos de história. Os registos de como país vão até à Baixa Idade Média, falando de Portugal só como terra física a história remonta 500 000 anos. Por esta razão, não há como errar ao escolher o distrito/cidade/aldeia para passar uns dias. Se um dos seus interesses for história, em cada cantinho irá conseguir ver pedaços de história a contar.

6- Gastronomia

Preciso referir mais alguma coisa? Para quem for um bom garfo, que é como quem diz, um bom amante de comida, este é o destino ideal. Estamos a falar de uma dieta mediterrânea com excelente pão, azeite, sopas e cozidos, enchidos, temperos, peixe e marisco reforçando a bela da sardinha, doces, vinho, já para não falar das 1001 formas de cozinhar bacalhau. Não é há toa que os turistas estrangeiros ficam maravilhados com a nossa comida e prometem voltar muitas mais vezes.

7- Viajar com amigos

Para quem planeia uma viagem de grupo com amigos, mais uma vez, não sair do país é uma ideia. A nível de preços, geralmente, o nosso pedaço de terra tem uma relação qualidade-preço muito boa e, é muito acessível comparado com outros destinos. E, claro, num grupo de amigos nem todos tem as mesmas possibilidades monetárias, por essa razão, fazer uma viagem em que se consiga dividir despesas como numa road trip é uma boa forma de incluir todo o grupo.

Road trips para Aguieira em Coimbra e para os Passadiços do Paiva em Castelo de Paiva

8- Bons alojamentos

Nos últimos anos têm surgido cada vez mais alojamentos portugueses e com muita qualidade. Claro que devemos sempre ter cuidado com o que escolhemos mas, regra geral os hotéis e alojamentos locais estão a ficar com melhores condições. De Norte a Sul do país, existem alojamentos para todos os gostos, desde os mais acessíveis aos mais dispendiosos, dos mais simples aos mais luxuosos e desde o interior ao litoral.

Montebelo Aguieira Lake Resort 5* – Distrito de Coimbra

9- Praias

Para quem prefere viajar ou passar férias no verão (isto é, quase toda a gente) as nossas praias fazem as delícias desde as crianças até ao cidadão mais sénior. Desde a zona norte até ao Algarve, este cantinho do Atlântico foi abençoado com uma costa que se estende por 943 km no continente, 667 Km nos Açores e 250 Km na Madeira. Para além de se conseguir ir a banhos, as paisagens são lindíssimas conseguindo-se observar falésias, dunas, areais, etc. E resta-me referir a água quentinha que conseguimos ter no sul (mas, só mesmo no sul). Sendo justos, mergulhar nas praias do norte, pode ser comparado a 1000 agulhas a espetarem no nosso corpo. São praias lindas mas muito, muito frias. Contudo, na região do Algarve temos praias com água a temperaturas amenas.

10- Paisagem Campestre / Turismo Rural

Não só somos afortunados com praias lindíssimas, também temos paisagens campestres de cortar a respiração. É, sem dúvida, uma das maiores riquezas que podemos apresentar aos turistas. Temos planícies, montes e vales, barragens, vinhas, herdades, etc. Tudo para conseguir umas férias calmas e, é ideal para quem não gosta de praia ou prefere algo para uns dias de descanso e silêncio.

Barragem do Azibo em Macedo de Cavaleiros – Distrito de Bragança

11- Ilhas

O arquipélago dos Açores e da Madeira são perfeitos para uma escapadinha de 3 ou 4 dias. Pessoalmente só visitei a ilha da Madeira mas, tenho ouvido relatos em como a ilha de Porto Santo e as ilhas do Açores são espectaculares e com paisagens maravilhosas.

Jardim Tropical Monte Palace no Funchal – Madeira

12- Espirito hospitaleiro

Não há povo que receba tão bem como o português. Visitar outras cidades que não a nossa, é estar fora de casa mas sentir-se em casa. Portugal é familiar e é amizade. Cá, jantamos num restaurante e ficamos amigos do dono, ficamos hospedados num alojamento local e se lá voltarmos a pessoa que nos recebeu ainda se vai lembrar de nós e vai tratar-nos como se fossemos familiares, na praia vai haver sempre alguém que fique a tomar contas das nossas coisas enquanto vamos à água e o senhor dos gelados ou da Bola de Berlim vai tratar-nos sempre bem.

Como vêm são tudo excelentes razões para “ir para fora cá dentro” durante uns dias. E vocês? Lembram-se de mais alguma razão para viajar no nossa incrível país? Fico à espera das vossas dicas nos comentários, porque ainda há muito verão para aproveitar.

Funchal, um jardim à beira-mar

Quem quer ir de férias “para fora cá dentro”? O que acham da maravilhosa Ilha da Madeira, mais concretamente a linda cidade do FunchalCapital da Região Autónoma da Madeira? Esta ilha, também conhecida como a pérola do Oceano Atlântico, foi o destino escolhido para umas mini-férias e para uma descoberta a solo. Mais uma vez tomei a decisão de viajar sozinha, e que bom que foi!!

Começo por esclarecer o nome “Funchal”. Quando as primeiras pessoas a descobrir a ilha desembarcaram encontraram muito do que tinha o nome Umbelifera Foeniculum Vulgare ou mais commumente conhecido como funcho, daí o nome da cidade.

A viagem foi feita pela companhia EasyJet e ficou por mais ou menos 100€ ida e volta. Chegada ao Aeroporto da Madeira, mais recentemente conhecido como Cristiano Ronaldo International Aeroport, tive que me dirigir para o centro da cidade. A forma mais barata é o AeroBus, a viagem de ida e volta ficou por 8€ e o tempo do aeroporto até ao centro – zona velha – é de aproximadamente 30min.

No que se refere à estadia, em primeiro lugar decidi-me por um hostel, já que a viagem, como já foi referido, foi feita sozinha. O escolhido foi o Divino’s Hostel a 900m, da zona velha do funchal. Ficou extremamente barato, 40€ por 4 noites. Não foi o melhor hostel em que fiquei mas também não era mau. Escolhi o quarto de 6 pessoas, um pouco apertado, mas cumpria a função. Este Hostel tem duas cozinhas bem equipadas e dois espaços ao ar livre, um em cada andar, onde se pode fazer as refeições e descansar, e tem também três casas de banho.

A ilha tem, como é esperado, muito declive e, sair do Hostel para passear no centro da cidade é muito fácil, voltar é que já é mais difícil, já que é sempre a subir.

E as visitas? Há tanto para ver nesta cidade. Comecei pela zona do Monte. Logo de manhã, depois de um ótimo pequeno almoço junto à Praia da Barreirinha, dirigi-me para o teleférico, mesmo ao lado e comprei a viagem por 32€ (estava incluido a viagem de teleférico para a zona do Monte, descida de teleférico até ao Jardim Botânico, entrada neste jardim e regresso nas duas viagens de teleférico).

Mal saem da primeira viagem de teleférico, logo do lado esquerdo, encontra-se o Jardim Tropical Monte Palace (entrada 12,50€, área de mais de 70 000 metros quadrados e aberto aos Domingos). O meu lugar favorito no Funchal! Lindo, sossegado e com tanto para ver! Neste jardim vão conseguir ver o Museu Monte Palace com três galerias, duas com esculturas da exposição intitulada “Paixão Africana” e outra com uma coleção de minerais provenientes dos quatro cantos do mundo – Segredos da Mãe Natureza. Tem também presentes neste espaço o Jardim Oriental, azulejos ao longo do percurso da História de Portugal e dos Portugueses pelo mundo, lagos e cascatas espetaculares e uma vista sobre a cidade de cortar a respiração.

Depois de sair deste jardim podem fazer uma pequena caminhada até à Igreja de Nossa Senhora do Monte. A vista do topo é incrível e vale bem o esforço de subir as dezenas de degraus. Esta igreja encontra-se a uma altura de 585m. Foi construída no sec. XVIII e, no interior, para além das imagens, pinturas e altares podemos encontrar o túmulo de Carlos Habsburgo, último imperador da Austria que esteve exilado na Madeira em 1921.

Como já foi mencionado, incluído nos bilhetes estava a entrada para o Jardim Botânico. Este espaço alberga mais de 2500 plantas oriundas dos 4 cantos do mundo.

No regresso à zona velha da cidade, o destino a seguir foi a Fortaleza de São Tiago do Funchal. Este forte foi construído sob a Dinastia Filipina e se este edifício destoa pela cor amarela, em tempos defendeu a cidade de saques de piratas.

Se voltarem para trás aconselho a percorrer toda a Rua de Santa Maria, a rua mais antiga da cidade. Nesta, quase todas as portas e janelas são telas para magnificas pinturas e, à noite, esta rua é palco para as várias esplanadas dos restaurantes.

Com o clima temperado da ilha, sabe sempre bem guardar um jantar para ser feito num dos restaurantes desta rua. Recomendo o Restaurante Le Jardin. Provem o pão do caco com manteiga de alho, as sardinhas assadas e o pudim de Maracujá. Divinal.

Mais para o centro do Funchal podem encontrar a Sé Catedral do Funchal, também conhecida como Igreja de Nossa Senhora da Assunção, com ordem de construção por D. Manuel I e o Parque de Santa Catarina.

Querem conhecer a ilha a sério? Esqueçam andar a pé! Até porque andar a pé naquela ilha só mesmo quem tem uma preparação física de quem vai ao ginásio pelo menos três vezes por semana (o que não é o caso)! Mas fora de brincadeiras, a melhor forma de conseguir conhecer os vários ‘cantinhos’ de interesse na ilha é de autocarro, na minha opinião.

Decidi então comprar um bilhete 3 em 1 da YellowBus por 18€ que incluía: o percurso pelos pontos mais importantes da cidade, o percurso até Câmara de Lobos, aldeia piscatória e, a viagem até ao topo do Cabo Girão. As viagens são feitas em autocarros de dois andares no qual, o de cima, é ao ar livre (cuidado com o sol!).

A ilha tem praias mas não são as típicas de areia branca. Tem sim, praias de areia preta e pedra vulcânica. Perto da Fortaleza encontra-se a já referida e pequena baía, a Praia da Barreirinha e existe outra praia, esta já na zona do Lido chamada Praia Formosa e, esta sim, já com um areal maior mas muito semelhante à anterior.

Gostam de animais e passeios de barco? Que tal juntar os dois? Aproveitem e façam uma viagem de Catamaran pelas águas do Oceano Atlântico, a poucas milhas da costa madeirense. Uma das empresas que organiza estas viagens é a VMT Madeira e o preço de uma viagem de 3 horas é de 35€ e vale cada cêntimo. Nesta viagem tive a oportunidade de ver 3 espécies de golfinhos, baleias piloto e tartarugas. Todos estes animais, mesmo ao nosso lado, a seguir as embarcações. Para além disto conseguem uma vista fantástica para a ilha, caso claro, o tempo colabore.

A não perder é também a visita ao Mercado dos Lavradores. Entre legumes, frutas, peixe e plantas, há muito por onde escolher, muito por onde provar e também muitas lembranças para poder levar para a família.

A minha estadia na Madeira foi breve e ainda ficou muito por ver, como por exemplo: as Casas de Santana, a Levada dos Balcões, a Eira do Serrado, o Pico do Areeiro, o Véu da Noiva, Curral das Freiras, Ribeiro Frio, Levada do Rei e tantos outros. Porque esta ilha tem tanto para oferecer. Mas vai ter que ficar para uma próxima viagem, com mais tempo. Portugal é sempre uma boa opção para passar umas férias, seja no continente ou nas ilhas, mas a Madeira foi uma agradável surpresa. Espero ter-vos cativado para passar uns dias nesta belíssima ilha portuguesa.

Água Hotels Mondim de Basto

Com uma vista de cortar a respiração em cada ângulo da sua arquitetura brilhante, o hotel do grupo Água Hotels em Mondim de Basto oferece o refúgio perfeito para descontrair em plena comunhão com a natureza.

O tema da água está bem patente nas comodidades do espaço, com duas piscinas infinitas exteriores e uma terceira para crianças. A área do spa disponibiliza tanques termais com hidromassagem, jacuzzi,  sauna e banho turco e encontra-se dividida em duas zonas, sendo que uma delas é reservada para hóspedes maiores de 16 anos.

Uma noite em regime de meia-pensão, com pequeno-almoço e jantar incluídos ficou por pouco mais de 140€, para duas pessoas, embora seja possível obter valores inferiores para outros regimes, dependendo também da época do ano. Por vezes, em sites como o “Odisseias” aparecem campanhas especiais, pelo que vale a pena ficarmos atentos.

Os quartos são bastante amplos, possuem iluminação LED nos cortinados e na cabeceira da cama e estão decorados em tons de branco, permitindo que o ambiente absorva toda a luz proveniente da generosa varanda, com uma vista deslumbrante sobre o vale do Tâmega, o que faz com que a tarefa de acordar seja, instantaneamente, muito menos penosa. Para esse facto contribui também o conforto da cama.

Logo depois, podemos degustar um pequeno-almoço super completo e variado, com uma panóplia que vai desde as simples torradas, passando pela fruta laminada, para terminar no bacon, no feijão e nos ovos mexidos. À noite, ao jantar, podemos esperar um bom menu buffet.

O design do hotel vale, por si só, uma visita ao espaço. Os seus 6 pisos encontram-se em diferentes patamares onde se distribuem numa espécie de “escada”, funcionando quase como uma bancada com vista privilegiada para o espetáculo envolvente. O edifício faz um excelente aproveitamento da vista e da luz natural e os jardins encontram-se em simbiose perfeita com a arquitetura e as piscinas infinitas.

Nas redondezas, é possível visitar a ponte medieval sobre o rio Cabril, um monumento perdido no meio de um cenário que nos faz recuar ao tempo dos nobres e dos camponeses, as Fisgas de Ermelo, famosas para quem procura trilhos e percursos de água, e a elevação da Nossa Senhora da Graça, que oferece uma vista panorâmica de 360 graus sobre toda a área em redor.

Figueira da Foz, mar e serra

A magia da Figueira começa na sua localização estratégica entre a foz do Mondego e a Serra da Boa Viagem. Aqui podemos aproveitar uma escapadinha de fim-de-semana entre banhos de sol na extensa praia e caminhadas pela natureza, o que mais podemos pedir?

Mas tem mais. O centro da Figueira da Foz está repleto de casinhas pitorescas e coloridas, ao mesmo tempo que nos oferece um casino, bares e vários restaurantes onde deliciar o palato, dos petiscos de marisco aos grelhados brasileiros. A antiga muralha da cidade ainda marca a sua presença, serpenteando o casario ao longo da marginal, e também o Forte de Santa Catarina se mantém erguido, numa área completamente renovada perto da foz do Mondego.

O areal da Praia de Buarcos é de perder de vista! Convidando-nos para um passeio pela água, onde as ondas rebentam, pelos passadiços de madeira ou pela marginal que a acompanha. Para além disso, não faltam apoios de praia para beber uma bebida fresquinha ou praticar desportos aquáticos. Por falar em coisas fresquinhas, a visita à gelataria San Remo é obrigatória, onde os gelados para além de deliciosos são autênticas obras de arte, coroados com fruta e outras iguarias que nos fazem quebrar a dieta.

À medida que deixamos a cidade e começamos a subir a Serra da Boa Viagem, são inúmeros os locais onde podemos obter paisagens de cortar a respiração, desde o Miradouro do Cabo Mondego, de frente para o mar, ao Miradouro da Bandeira, no cimo da serra, que nos presenteia com vistas desafogadas sobre a área circundante, sobre a floresta e sobre o litoral.

O percurso de estradas da serra proporciona-nos momentos de condução relaxantes e também são muitos os espaços para piqueniques em família e trilhos pela natureza. Se estavas à procura do teu próximo destino de fim-de-semana, a meia-distância entre o Porto e Lisboa, a Figueira da Foz é um forte candidato.

Drave, a aldeia mágica

A aldeia de Drave é uma povoação perdida na Serra da Freita, em pleno Geoparque de Arouca, constituída por um pequeno aglomerado de casas de xisto construídas em patamares ao longo da encosta, fazendo com que quase se assemelhe a uma “Machu Picchu” portuguesa.

O misticismo da aldeia começa no seu difícil acesso. É apenas possível alcançar a povoação fazendo um percurso a pé que começa na aldeia de Regoufe e que atravessa a serra, onde grande parte do caminho é em subida, o que em dias de maior calor pode se tornar um problema, pelo que é fundamental levar sempre uma garrafa de água na mochila.

À medida que nos afastamos de Regoufe, por entre as casas dos habitantes, galinheiros e campos agrícolas, vamos perdendo a rede do telemóvel e é aí que a verdadeira aventura começa. Depois de escalarmos os montes e de caminhar pelo trilho serpenteado, Drave começa a aparecer ao longe e começamos a ficar cada vez mais ansiosos por lá chegar.

Na aldeia não faltam pequenas lagoas, pontes e casas abandonadas para explorar. Havendo espaço também para bons piqueniques em família e relaxar na sombra das árvores. Quando não estamos em períodos de seca, as cascatas também decidem aparecer para melhorar o cenário já incrível.

O último habitante de Drave abandonou a aldeia no ano 2000 e hoje é gerida em grande parte pelo Corpo Nacional de Escutas, que lá criou uma base e está a ajudar a trazer de volta alguma vida às pequenas casas de xisto.

Durante o verão, devemos ter em consideração que a zona é fustigada todos os anos por vagas de incêndio. Em 2016, quando visitei a aldeia, a beleza do percurso estava castigada por áreas reduzidas a cinza e inclusivamente, começou um pequeno incêndio que foi prontamente apagado por um grupo de escuteiros.

Alcançar Drave é uma excelente alternativa aos concorridos Passadiços do Paiva, com o bónus de que podemos explorar a aldeia mágica no final do percurso. Mas vamos manter o segredo, combinado?

Sesimbra

Localizada na península de Setúbal, Sesimbra é um segredo sazonal que começa lentamente a ser descoberto. Historicamente uma vila de pescadores, a sua gastronomia rica em peixe acabado de sair da lota merece ser saboreada.

As muralhas do castelo no cimo da vila oferecem vistas deslumbrantes da paisagem e uma pequena viagem ao tempo dos reis e cavaleiros. Isto tudo sem falar da praia de areia branca, águas calmas e cristalinas. Mas se falamos de praia, temos que obrigatoriamente falar do maior trunfo da região, a praia da Ribeira do Cavalo, de acesso difícil e vertiginoso, proporciona um retiro edílico e paradisíaco que quase torna difícil acreditar que continuamos em Portugal.

Se tiveres algum tempo para dispensar, vale a pena estender a estadia e ficar pelo parque de campismo do Forte do Cavalo. Podes ainda aproveitar e explorar os restantes tesouros da região de Setúbal, como o Portinho da Arrábida, Troia ou o Cabo Espichel.