Alcochete, terra brava e de sal

Do outro lado da ponte Vasco da Gama, Alcochete espreita Lisboa, a pouco mais de 20 minutos do Parque das Nações. Recheada de tradições, a marginal estende-se abraçando o Tejo, desde as salinas ao centro da vila, com as suas pitorescas casas caiadas retocadas com linhas coloridas, lembrando-nos que já estamos no Ribatejo.

Centro da vila, com a câmara municipal à esquerda e a igreja paroquial ao fundo.

Comecemos por abordar o elefante no quarto: a maior parte das pessoas conhece Alcochete pelo Freeport Outlet, e enquanto vale a visita ao espaço comercial ao conhecer a vila, torna-se lamentável quando a visita a Alcochete é motivada, de forma exclusiva, pelas etiquetas a preço de fábrica.

O belo do arroz de tamboril.

A pequena vila tem muito para além das marcas, começando pela sua gastronomia, muito ligada ao rio, ao mar e à tradição piscatória, mas também às carnes, dado o culto da festa brava. E desta feita, temos a receita ideal para agradar a gregos e troianos, e possivelmente, também a vegetarianos.

No centro de Alcochete, perto do rio, temos ruas apertadas tornadas ainda mais estreitas pelas esplanadas dos imensos restaurantes, que confeccionam pratos típicos com uma qualidade descida dos céus, trazida até nós pelas sandálias de Hermes. Aqui, é conservado o ambiente genuinamente português da margem sul, ainda pouco explorada pelos turistas. Contudo, não se deixem enganar! Convém chegar cedo para arranjar mesa ou fazer reserva de antemão.

Detalhe das casas típicas.

Deixando o centro e caminhando pela marginal em direção a Lisboa, sentimos o Tejo a ser embalado pelo vento, um velho amigo sempre presente nesta zona, não fosse esta pontilhada por pequenos moinhos outrora ligados à moagem de cereais ou à elevação de águas nas marinhas das Salinas do Samouco.

Jardins do hotel ao por-do-sol.

Foi precisamente aqui, neste inesperado local, que fiquei alojado com a minha família no peculiar verão de 2020. A nossa escolha recaiu sobre o Praia do Sal Resort e durante 7 noites chamamos casa a um apartamento no empreendimento de 4 estrelas. A estadia, para mim, para os meus pais e para a minha sobrinha, ficou por cerca de 700€, com um fenomenal pequeno-almoço à la carte incluído. Quero deixar a observação que apenas conseguimos este preço porque reservamos em pleno confinamento, quando o receio e a pandemia estavam em esteróides.

O resort encontra-se preparado para responder às exigências do turismo de luxo, disponibilizando uma incrível piscina infinita exterior, que simula uma praia, a escassos metros do Tejo e ainda uma área de spa com piscina interior aquecida, jatos de água, banho turco, sauna, ginásio e gabinete de massagens. O staff é super atento e são todos muito simpáticos, com especial louvor para os rapazes da piscina, que a toda a hora desinfetavam as espreguiçadeiras mal se tornavam vagas. Os apartamentos são modernos e decorados com uma paleta de cores suaves alusivas ao sal e ao mar, transmitindo a tranquilidade que precisámos quando estamos de férias. A vantagem de estarmos alojados num apartamento, é também a possibilidade de cozinhar sempre que nos der a preguiça, ao mesmo tempo que salvamos um pouco o nosso budget.

A única crítica menos boa relativamente a este alojamento é devido ao facto de se terem esquecido de preparar uma pequena surpresa para o aniversário da minha sobrinha de 13 anos 😦

Por-do-sol a cair sobre Lisboa.

Mariquices à parte, o grande trunfo do hotel é a zona envolvente, tanto a vila de Alcochete como a localização, bem na Praia dos Moinhos, que apesar de não serem aconselhados banhos na água poluída do rio, convida a passeios revigorantes pelos passadiços e à pratica de desportos aquáticos, como o windsurf. Em jeito de cereja no topo do bolo, o por-do-sol nesta zona é, surpreendentemente, um dos mais bonitos que já vi na vida! Absolutamente soberbo.

Vista do Forte de São Filipe, em Setúbal.

Aproveitando o ponto estratégico, não faltam outros lugares para partir à aventura, nomeadamente o Castelo de Palmela, a cidade e Península de Setúbal, assim como Tróia e a Serra da Arrábida. Isto claro, já sem mencionar a proximidade de Lisboa, com incontáveis outras possibilidades.

Publicado por Nuno Lopes

Apaixonado pelo mundo e dromomaníaco assumido, o Nuno é o fundador do Instruções para Viajar. Considera que a melhor parte da viagem é a aventura, é perder-se em caminhos complicados, são as estratégias de última hora para contornar voos cancelados e a arte de conversar por meio de mímica ou sotaques improvisados. Adora o misticismo da cultura árabe, o ambiente dos países exóticos, a comida italiana e o sol da Grécia. Os seus destinos de sonho passam pela Índia, Indonésia e Ilhas Maurícias. Quando não está a planear a próxima viagem, é técnico de radiologia no grupo Trofa Saúde Hospital onde a paixão por fotografar o corpo humano se transpõe para as paisagens, monumentos e para as selfies nas suas aventuras pelo globo. - nuno@instrucoesparaviajar.com

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